4 formas de ganhar uma grana extra no Carnaval

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Enquanto milhões de foliões se preparam para ocupar as ruas de Salvador em busca de música, festa e alegria, durante os sete dias de Carnaval, alguns soteropolitanos enxergam no festejo de Momo mais do que momentos de diversão: veem oportunidade.

Seja nos circuitos oficiais da festa ou nos bairros da cidade, trabalhadores informais e empreendedores criativos transformam talento, agilidade e visão de negócio em renda extra e, em alguns casos, na principal fonte de sustento do ano.

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Da maquiagem ao mototáxi, passando pelos penteados afro e pela customização de abadás, o Carnaval movimenta uma verdadeira economia paralela. A reportagem ouviu trabalhadores que fazem da folia um período estratégico para faturar.

Maquiagem: beleza que vira renda extra

Designer de moda e maquiadora, Jerusa Ribeiro, 35 anos, encontrou no Carnaval um novo caminho para o seu trabalho. A decisão veio ao perceber uma demanda crescente entre foliões que buscam produções rápidas e criativas antes de ir para a avenida.

“Ano passado [2025] tive essa sacada de fazer [maquiagens], porque eu via que tinha demanda e eu não fazia antes”, explicou a profissional.

Maquiagem de Carnaval feita pela designer de moda e maquiadora Jerusa Ribeiro | Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Jerusa, o fluxo de atendimento varia conforme o dia, mas costuma ser intenso. “Atendo, por dia, uns 3, 4, 5 clientes. Depende do dia também, né?”, afirma ela, revelando que os valores cobrados vão de acordo com o nível de produção. “Em média, o valor é de R$ 120, R$ 150, depende da maquiagem”.

Ela destaca que a possibilidade de garantir uma renda extra de forma rápida aumenta a motivação para o trabalho durante o período. “Devo tirar tirar uns R$ 2.500 a 3 mil. Esse valor é para complementar o faturamento”, diz Jerusa, entre risos.

Penteados e adereços: terapia e grana no bolso

Com mais de duas décadas de experiência, a cabeleireira e trancista Fabrícia Anunciação, de 39 anos, faz dos adereços e das tranças uma marca registrada no Carnaval. O trabalho começou cedo, quase junto com a própria história em Salvador. “Faço adereços desde quando eu entendo por gente, desde que eu vir morar em Salvador. Desde novinha, uns 25, 26 anos, por aí”, relembra ela.

Fabrícia diz que, embora precise do dinheiro, o prazer em realizar este trabalho está no encanto do processo criativo. “Eu gosto de ver as pessoas produzidas, acho bacana, as misturas de cores, transformar também. O ganho financeiro, o dinheiro é importante. Mas, eu não digo nem pelo ganho financeiro, mas pela terapia. Eu me sinto bem fazendo essas coisas”, explicou a cabeleireira.

A variedade de serviços ofertados pela profissional inclui adereços coloridos e tranças feitas sob medida para cada cliente. “Os adereços são fitilhos, são glitters, são os tic-tacs que a gente usa, os coloridinhos. A gente faz de acordo com o que a cliente pede. Faço tranças personalizadas”, diz.

Os preços variam de acordo com o tipo de produção escolhida pela cliente, levando em consideração o modelo da trança e os adereços utilizados. Segundo Fabrícia, os valores iniciais são acessíveis e permitem diferentes combinações conforme o pedido. “A partir de cinquenta reais. Dependendo do modelo da trança, dependendo dos adereços que a cliente vai usar”, conta ela, revelando que, além de trabalhar em um salão de beleza, também atende no bairro onde mora.

Ela estima faturar no período do Carnaval cerca de R$ 2 mil. Com o valor, ela já faz planos de pagar algumas contas e o aluguel da casa onde mora com o filho.

Customização de abadás: a moda que vira renda

Em Ondina – bairro que abriga um dos circuitos oficiais do Carnaval -, a designer de moda e costureira Lisi Prado transformou sua habilidade manual em um negócio sólido durante a folia. A iniciativa surgiu, em 2014, ao observar a demanda do público turístico em busca de customização de abadás – camisas de blocos e camarotes usadas durante a festa.

Lisi Prado faz customização de abadás desde 2014

Lisi Prado faz customização de abadás desde 2014 | Foto: Arquivo Pessoal

“Eu tinha uma loja em um Apart hotel na Ondina e sabia que no carnaval tinha muitos hóspedes. Como eu sempre gostei de trabalhos manuais, chamei uma amiga costureira pra fazer customização e, de lá pra cá, não paramos mais”, conta.

Para ela, a customização se tornou essencial para o equilíbrio financeiro do negócio. “O valor ganho no Carnaval representa uma parte muito importante da minha renda. Ele sustenta os próximos meses que são mais fracos na loja e gera oportunidades ao longo do ano”, explica Lisi, que destaca o fortalecimento da marca e da equipe.

O preço da customização é a partir de R$ 50, 00

O preço da customização é a partir de R$ 50, 00 | Foto: Arquivo Pessoal

“Os valores variam de acordo com os modelos e adornos que eu também vendo, cobro a partir de 50,00, mas já fiz modelos de até 600,00”, lembra ela, afirmando que o público é majoritariamente de fora da cidade. “São mais turistas. Poucos são os de Salvador”.

Maioria dos clientes é turista

Maioria dos clientes é turista | Foto: Arquivo Pessoal

À frente de uma equipe composta por dez profissionais, Lisi diz que, quando preciso, também coloca a mão na massa. Quer dizer: na máquina. “Fico mais na criação dos modelos, mas quando preciso sentar na máquina, costuro também. Atendemos entre 30 e 50 clientes, por dia. São modelos mais elaborados, alguns parecem até roupa de gala”, pontua ela, sobre a necessidade da união de forças.

Mototáxi: agilidade que vale ouro na folia

No meio do trânsito travado e das ruas bloqueadas, o mototáxi vira solução. É nesse cenário que Jamisson Cordeiro, mototaxista desde 2010, intensifica o trabalho durante o Carnaval, deixando temporariamente a Feira do Japão, na Liberdade, para atuar nos circuitos Barra/Ondina e Campo Grande. “Carnaval, sem dúvidas, é o melhor período para granhar um trocado”, afirma ele.

Ele lembra que em dias normais, a quantidade e os valores das corridas variam bastante. “Dias normais, o valor das corrias variam. Tem corrida de 30,00 reais, tem corrida de 40,00 reais. Têm dias que faço dez corridas, têm dias que faço 15 corridas. Depende do fluxo, conta.

É na pista que Jamisson garante uma renda extra

É na pista que Jamisson garante uma renda extra | Foto: Arquivo Pessoal

Já na folia, o ritmo é outro. “No Carnaval, são inúmeras [corridas]. Não tem como dar número. O valor depende da distância, no circuito é R$ 50, 00”, explica Jamisson, revelando que no dia da lavagem do Senhor do Bonfim – tradicional festa que acontece em Salvador na segunda quinta-feira de janeiro, por exemplo, conseguiu levar para casa R$750.

Pai de quatro filhos, ele já tem planos para o dinheiro extra. “Com esse dinheiro, tenho planos de pagar as dívidas”, diz o mototaxista, de 44 anos.

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Festa para todos, oportunidade para muitos

Diante destes relatos, é possível entender que o Carnaval de Salvador não é apenas para quem canta e dança. Mas, sobretudo para quem trabalha. Entre maquiagem, tranças, customização de abadás e mototáxi, a folia se transforma em uma grande oportunidade de renda para quem sabe aproveitar o movimento. Para esses trabalhadores, o Carnaval é muito mais do que alegria: é estratégia, sustento e sobrevivência. E, enquanto a cidade vibra ao som dos trios elétricos, a economia paralela segue pulsando forte pelos quatro cantos da capital baiana.



Fonte: A Tarde

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