Ninguém gosta de pensar na possibilidade de perder o emprego, mas alguns sinais no ambiente profissional podem indicar que a permanência de um funcionário está sendo questionada.
A ausência de metas alcançadas, a queda no faturamento e a baixa produtividade estão entre os fatores observados pelas empresas.
Em entrevista ao portal A TARDE, Bartira Carvalhal, especialista em Gestão Estratégica e Gestão de Pessoas, explica quais comportamentos merecem atenção e como o trabalhador pode se preparar sem tomar decisões precipitadas.
Falta de metas e produtividade pode acender alerta
Segundo Bartira, os resultados financeiros estão entre os primeiros pontos observados pela gestão. “O primeiro sinal para demissão de colaboradores é a ausência de metas batidas e faturamento. A parte financeira é a mais sensível e que os gestores tomam atenção”, afirma.
A especialista também destaca que o desempenho individual pode pesar nessa avaliação. “A produtividade e o tempo ocioso também são fatores importantes que empresas que trabalham com indicadores e gestão para resultado levam em consideração”, explica.
Leia Também:
Exclusão de reuniões pode ser um sinal?
A redução de custos, as mudanças na liderança e a exclusão de funcionários de reuniões podem levantar dúvidas, mas precisam ser analisadas dentro do contexto da empresa. Para Bartira, a interpretação depende do modelo de gestão adotado.
“Se for uma empresa mais humanizada, esses fatores não costumam impactar”, afirma. Já organizações orientadas por indicadores de desempenho podem passar por mudanças frequentes. “Sempre estará em movimento e buscará diminuir seus custos, aumentando a tecnologia dentro da empresa, fazendo novos investimentos e inserindo lideranças compatíveis com essa tendência”, detalha.
A especialista alerta, no entanto, que o afastamento de atividades importantes merece atenção. “A exclusão em reuniões e atividades é uma representação de não continuidade do colaborador, mas tem que tomar muito cuidado para não acabar gerando um dano moral”, ressalta.
Falta de feedback também merece atenção
Outro possível sinal é a ausência de conversas sobre desempenho e planejamento profissional. De acordo com Bartira, empresas que mantêm uma cultura de feedback costumam dar indícios quando estão insatisfeitas com o trabalho de um funcionário.
“Empresas que cultuam o feedback normalmente já mostram os indicativos que podem indicar não satisfação da empresa com o colaborador”, explica.
Quando essa prática não faz parte da rotina, outras mudanças podem chamar a atenção. “Normalmente, os gestores não passam as novidades, não estimulam novos treinamentos, não enviam novos feedbacks, não fazem planejamentos de atividades que fogem das perspectivas da manutenção do colaborador”, afirma.
Apesar disso, a especialista destaca a importância de avaliar o contexto antes de concluir que uma demissão está próxima. Mudanças isoladas não significam, necessariamente, que o funcionário será desligado.
O que fazer ao perceber os sinais?
Ao notar alterações que possam indicar risco de desligamento, a recomendação é procurar a liderança direta ou o setor de Recursos Humanos para pedir esclarecimentos. “O ideal é que o colaborador busque a sua liderança direta e solicite um feedback, reforçando as suas percepções sobre um possível desligamento, e/ou o RH para alinhamento de perspectivas”, orienta Bartira.
Segundo ela, essa conversa pode ajudar o profissional a entender como seu trabalho está sendo avaliado e a planejar os próximos passos. “Mesmo que receba a demissão indesejada, de forma que preserve a saúde mental e a sua perspectiva de futuro, pode traçar um plano sobre a sua vida profissional”, acrescenta.
Vale procurar outro emprego antes de ser demitido?
Atualizar o currículo e acompanhar vagas disponíveis também pode ser uma estratégia, mesmo quando não há confirmação de possíveis cortes. Para Bartira, buscar oportunidades não significa necessariamente que o trabalhador pretende deixar o emprego atual.
“O colaborador possui um contrato e ele pode ser quebrado a qualquer momento por ambas as partes. Não há motivos pelos quais ele não possa buscar uma nova oportunidade”, afirma.
A especialista acrescenta que conhecer as oportunidades do mercado pode ajudar o profissional a avaliar suas possibilidades de crescimento e remuneração. A busca por uma nova vaga pode, inclusive, servir de referência para uma negociação salarial na empresa atual.