Ato falho? Flávio Bolsonaro admite que dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” era “ilícito”

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, chamou de “totalmente ilícito” o dinheiro repassado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu na sexta-feira (16), durante entrevista à TV Globo, e repercutiu nas redes sociais.

A fala aconteceu enquanto Flávio tentava defender a legalidade dos recursos utilizados na produção cinematográfica. Ao explicar a negociação com Vorcaro, o senador afirmou que se tratava de uma relação privada, sem contrapartidas políticas. No entanto, ao concluir a resposta, utilizou a palavra “ilícito”, em aparente contradição com o argumento que apresentava.

“Uma relação privada, um dinheiro totalmente ilícito, como era o dinheiro também aqui na Globo”, declarou o candidato, ao comparar o financiamento do filme com supostos pagamentos do Banco Master à emissora. O contexto da fala levou internautas a apontarem o que classificaram como um possível ato falho.

Investigação apura origem dos recursos

O financiamento de Dark Horse está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF), que busca esclarecer a origem, a movimentação e o destino dos valores relacionados ao projeto. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio solicitou a Vorcaro cerca de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, para viabilizar a produção.

Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos por meio de operações envolvendo a empresa Entre Investimentos e Participações e o fundo norte-americano Havengate Development Fund LP. A investigação procura identificar os beneficiários finais dos recursos e verificar se houve irregularidades nas transações.

Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como operador financeiro ligado a Vorcaro, afirmou que não sabia que os valores enviados ao fundo seriam utilizados no financiamento do filme. Segundo seu relato, ele acreditava que o dinheiro seria destinado a investimentos imobiliários nos Estados Unidos e tentou recuperar os recursos após descobrir a finalidade das transferências, mas não conseguiu.

A PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 90 dias para aprofundar as apurações. Até o momento, a investigação não representa uma conclusão definitiva sobre a existência de crimes ou a responsabilidade dos envolvidos.

Flávio nega irregularidades

Durante a entrevista, o senador sustentou que o financiamento foi resultado de um acordo privado e afirmou que Vorcaro aceitou contribuir em um período no qual, segundo ele, não havia suspeitas contra o ex-banqueiro. Flávio também alegou que outros investidores ajudaram a concluir a produção.

O candidato ainda citou supostos pagamentos do Banco Master à TV Globo para questionar a repercussão do caso. A comparação, porém, não esclarece as dúvidas investigadas pela PF sobre a origem e o percurso do dinheiro destinado a Dark Horse.

A expressão utilizada por Flávio chamou atenção justamente porque foi pronunciada enquanto ele tentava afastar suspeitas sobre a operação. A apuração policial continua em andamento, e a origem final dos recursos ainda precisa ser esclarecida.

Com informações do DCM



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