O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, trocou mais de uma centena de registros de comunicação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. As conversas revelaram a proximidade entre os dois e voltaram a ganhar destaque em meio às discussões sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma das mensagens mais repercutidas foi enviada por Flávio em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal. Na ocasião, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. O conteúdo foi divulgado pelo site The Intercept Brasil e teve sua autenticidade confirmada pela Folha de S.Paulo.
As conversas também envolveram negociações para levantar recursos destinados ao filme Dark Horse. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio procurou Vorcaro para obter financiamento para a produção, que retrata a vida política de Jair Bolsonaro. Documentos e mensagens apontaram uma negociação de US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na época, dos quais ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos.
Em um áudio divulgado pelo The Intercept, Flávio cobra pagamentos pendentes e afirma que a produção atravessava um momento decisivo. A conversa ocorreu em setembro de 2025, após o Banco Central rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os registros passaram a integrar o debate sobre a relação entre o senador e o empresário.
Flávio Bolsonaro confirmou que procurou Vorcaro para conseguir financiamento privado para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens relacionadas ao mandato parlamentar. O senador também afirmou que os recursos seriam destinados à produção cinematográfica e que não houve uso de dinheiro público.
A relação entre os dois voltou ao debate político no domingo (18), durante o confronto entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), promovido pela TV Bandeirantes. Lula cobrou explicações sobre o pedido de R$ 134 milhões para o filme, enquanto Flávio voltou a defender a origem privada dos recursos e fez acusações contra o presidente.
O caso segue sob investigação, e as mensagens, por si só, não comprovam a prática de crimes. As autoridades buscam esclarecer a origem e o destino dos recursos negociados, bem como verificar se houve irregularidades nas operações relacionadas ao financiamento da produção.
Com informações da Revista Fórum