Nos últimos dias antes da eleição presidencial, a eleitora e o eleitor vacilantes têm a oportunidade de verificar melhor quem está mentindo e quem diz a verdade. E mesmo a pessoa crédula pode também duvidar, pensando agora o oposto de suas convicções anteriores, escapando ao risco da opinião cristalizada e inatacável.
Ao formar crença neste ou naquele, o primeiro impulso é diluir o próprio eu numa coletividade, onde a sensação de torcida produz ímpetos difíceis de controlar. É preciso método confiável e disciplina de espírito, pois a razão vira subproduto dos afetos, quando a consciência nega a capacidade de pensar contra si mesmo.
Conhecer o histórico, as propostas, as alianças e as contradições de cada candidatura exige alguma paciência em meio à escassez de tempo, a esta altura.
Neste aspecto, a regularidade do candidato mais experiente produz confiabilidade, enquanto o caçula engatinha, tropeçando nas próprias palavras desconectadas.
Hoje acontece o último debate entre os candidatos à Presidência, no qual Flávio Bolsonaro terá a chance de se reabilitar. Na mesma emissora de tv, o candidato da extrema-direita foi entrevistado antes, dizendo uma verdade em cada nove proposições, contra sete do presidente Lula.
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A repetição desta estatística confiável seria decisiva, exceto se a metamorfose digital tivesse produzido eleitorado imune ao compromisso com os fatos. Receoso, Flávio tentou, em vão, evitar a checagem de fatos, mas estarão ativos serviços de conferência, correndo em paralelo.
Por outra via, a honestidade cobrada aos postulantes, na quebra de sigilo, deve ser, antes, a honestidade do votante, ao tirar dúvidas e desconfiar de certezas fáceis. Confirmação de envolvimento com crime organizado, milícias e financiamento no escândalo do Banco Master pode favorecer uma escolha segura por rejeição.
Da mesma forma, a garantia da democracia e do funcionamento pleno das instituições, mediante a obediência à Constituição, é indício do melhor voto.