A história existe para nos lembrar como os fatos ocorreram, mas uma essência insiste em repetir-se a cada fenômeno: a desigualdade nas disputas. Vencedores e vencidos mudam de nome; de cor; de bandeira; de lugar. No entanto, o contexto de injustiça conduz a espécie humana, como se vê agora com a internet.
O brinquedo libertário dos anarquistas inocentes do Silício é a nova fronteira do mesmo enredo de revoluções anteriores da máquina a vapor e da eletricidade. A genial invenção da arquitetura radicalmente horizontal, em meio ao solene desprezo por toda e qualquer autoridade, mudou de perfil capturada pelo capital.
O projeto da aurora digital, inspirado no lema “hay gobierno, soy contra”, terminou refém de extremistas de direita, levantando da tumba a malta grotesca. Tem mais: a inteligência artificial pode inaugurar uma desigualdade ainda mais profunda: países inteiros serão pulverizados, diluindo-se fronteiras nacionais.
A sirene ecoou de fontes insuspeitas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Enquanto nações desenvolvidas aceleram investimentos em chips, data centers, energia e qualificação profissional, parte do mundo comanda control + Z.
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É de se pensar o quanto há de hipocrisia quando se diz superar o delírio da raça ariana, mantendo-se hoje o cenário de duas humanidades, uma delas rebaixada. A “subraça” tecnológica enfrenta carências de conectividade, infraestrutura e formação técnica. O risco é evidente: a IA vai ampliar as distâncias globais.
A tecnologia promete ganhos extraordinários de produtividade, mas aí está a problemática reveladora do nosso caráter. Os benefícios vão crescer onde há capital, conhecimento e infraestrutura. A mecânica da meritocracia vai deixar distante quem já está atrás.
Envernizada de tecnologia, a questão segue política e social. Sem investimentos em educação, ciência, energia e inclusão digital, países “emergentes” são novas vítimas do velho enredo movido a egoísmo.