A expansão da inteligência artificial (IA) e data centers pode abrir um mercado bilionário e promissor para a mineração baiana, uma vez que o vanádio é usado para a produção de baterias de fluxo (Vanadium Flow Batteries) usadas no armazenamento de energia de grande escala.
A avaliação é do co-CEO da mineradora canadense Largo, Alberto Arias, que aposta no crescimento da procura por baterias de armazenamento de energia nos Estados Unidos uma possibilidade de ampliar o mercado consumidor do mineral brasileiro.
A companhia opera a mina Maracás Menchen, na Bahia, considerada uma das principais operações de vanádio do mundo. Além de liderar a produção de vanádio e urânio, o estado é responsável por produzir 47 das 93 tipologias minerais existentes no Brasil.
Vanádio é a “bola da vez”
Embora tenha aplicações tradicionais na produção de aços resistentes e ligas metálicas especiais, o vanádio passou a despertar interesse por outra característica: sua utilização em tecnologias capazes de armazenar eletricidade.
É nesse mercado que a Largo pretende ampliar sua presença. Em 2025, a mineradora se associou à americana Stryten Energy para criar a Storion Energy, dedicada ao desenvolvimento de componentes e eletrólitos para baterias de fluxo de vanádio.
Diferentemente das baterias convencionais de íons de lítio, as baterias de fluxo armazenam energia em soluções líquidas que contém vanádio e circulam entre tanques e células eletroquímicas.
A tecnologia permite armazenar grandes quantidades de eletricidade por várias horas, com longa vida útil e menor risco de incêndio. Por isso, é considerada uma alternativa para instalações industriais, redes elétricas e data centers, que precisam de fornecimento contínuo de energia para manter servidores e sistemas de processamento funcionando.
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Segundo a consultoria imobiliária JLL, o mercado brasileiro de data centers deve dobrar de tamanho até 2030. O Brasil fechou o primeiro semestre deste ano com 706 megawatts (MW) de capacidade instalada — um crescimento de mais de seis vezes desde 2012, equivalente a uma taxa composta de 15% ao ano
A alta demanda pelos centros de processamento de dados desbanca a produção do minério crítico no Brasil. Com o avanço dessas instalações, também aumenta a necessidade de investimentos em infraestrutura de geração, transmissão e reserva energética. Para a Largo, parte dessa expansão poderá representar um mercado adicional para o vanádio, hoje amplamente utilizado pela siderurgia.
Vanádio na defesa americana e aeroespacial
Além do aumento da demanda em fontes de armazenamento de energia de tecnologia, o mineral é utilizado principalmente na fabricação de aços de alta resistência e ligas metálicas para as indústrias de defesa e aeroespacial.
A extração do minério também está ligada à demanda da defesa norte-americana, que em julho financiou à mineradora, fornecedora da Agência de Logística de Defesa dos Estados Unidos (DLA), o aporte de US$ 60,1 milhões para fornecer pentóxido de vanádio de alta pureza, com entregas programadas até janeiro de 2030.
Uma alternativa à dependência asiática e europeia
De acordo com a canadense, o estreitamento com os EUA também está relacionado à intenção de países ocidentais de reduzir sua dependência de fornecedores como China e Rússia.
Alberto Arias defende maior reconhecimento do vanádio nas políticas voltadas aos minerais críticos, considerando sua importância para diferentes atividades industriais.