O Corinthians negocia o encerramento antecipado do contrato de patrocínio máster com a Esportes da Sorte, em um acordo que prevê pagamentos de R$ 150 milhões por ano e pode chegar a R$ 200 milhões com o cumprimento de metas. A iniciativa de romper o vínculo, válido até dezembro de 2029, partiu da casa de apostas.
O impasse ocorre em meio à suspensão das operações de casas de apostas no Brasil e à incerteza sobre o futuro do setor. Nos bastidores, o Corinthians trata o contrato como suspenso, conforme comunicado divulgado em 7 de outubro, mas mantém cautela diante da possibilidade de mudanças nas regras.
A diretoria alvinegra aguarda os desdobramentos de uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para 3 de novembro, que pode avançar na discussão sobre o tema. O superintendente de marketing do clube, Vinicius Manfredi, será o representante da equipe em Brasília. As informações foram divulgadas pela ESPN.
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Corinthians aguarda definição sobre o futuro das bets
A possibilidade de flexibilização das restrições às casas de apostas é um dos fatores que ajudam a explicar a cautela do Corinthians antes de concluir a rescisão. Por enquanto, os departamentos jurídicos das duas partes negociam os termos para encerrar o vínculo.
A Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabeleceu restrições à operação das plataformas de apostas, com previsão de retirada de sites e aplicativos do ar a partir de 6 de outubro, além da proibição de publicidade relacionada à atividade, conforme as informações que motivaram a suspensão.
O cenário deixou clubes brasileiros diante da necessidade de reorganizar seus uniformes e buscar alternativas para ocupar o espaço mais valorizado das camisas. Antes das restrições, as casas de apostas estavam entre as principais patrocinadoras do futebol nacional.

Como os clubes substituíram as bets nas camisas?
A suspensão das operações provocou mudanças nos uniformes de diversas equipes. Parte dos clubes recorreu a patrocínios pontuais, enquanto outros aproveitaram o espaço para divulgar projetos próprios ou marcas de outros segmentos.
O Corinthians, por exemplo, entrou em campo com a Jota.ai, startup de assistência financeira que utiliza inteligência artificial. O Internacional também aproveitou a rodada para divulgar a campanha promocional Shoppe 10/10, ligada ao comércio eletrônico.
Já Flamengo e Santos adotaram caminhos diferentes durante o confronto entre as equipes. O clube carioca estampou a frase “Proibir não é proteger” no espaço antes ocupado pela Betano, em protesto contra a medida. O Santos, por sua vez, divulgou o Instituto Leão do Mar, iniciativa voltada a projetos de impacto socioambiental.

Plataformas do mesmo grupo ocuparam espaço de patrocinadoras
São Paulo e Fluminense também fizeram mudanças após a suspensão. Os dois clubes, que tinham vínculo com a Superbet, passaram a exibir a Superscore, plataforma de estatísticas pertencente ao mesmo grupo econômico.
A mudança permitiu que as equipes mantivessem uma marca no espaço principal do uniforme, embora sem a identificação direta da casa de apostas.

Botafogo e Vasco apostaram nos sócios-torcedores
Outra alternativa foi utilizar as camisas para divulgar programas de associação. Botafogo e Vasco seguiram essa estratégia no confronto entre os rivais.
O Botafogo, que tinha a VBet como patrocinadora máster, estampou a marca Camisa 7. O Vasco, anteriormente patrocinado pela Betfair, passou a divulgar o programa Seja Sócio Gigante.

Bahia manteve uniforme sem mudanças, enquanto Vitória perdeu patrocinador
Na Bahia, a suspensão teve impactos diferentes para os dois principais clubes do estado.
O Bahia não precisou alterar o espaço principal de seu uniforme por não utilizar uma casa de apostas como patrocinadora máster. O Vitória, por outro lado, entrou em campo sem o patrocínio da Bet7k, que antes estampava sua camisa.

Palmeiras, Atlético-MG e outros clubes também ficaram sem patrocínio máster
Nem todas as equipes conseguiram encontrar uma alternativa imediata para substituir as casas de apostas. Além do Vitória, outros clubes apareceram sem patrocinador máster após as mudanças.
Entre eles estão Palmeiras, Atlético-MG, Cruzeiro e Grêmio. A situação evidencia como as restrições às bets afetaram uma fonte relevante de receita comercial para o futebol brasileiro.
No caso do Corinthians, a negociação com a Esportes da Sorte acrescenta uma questão financeira à discussão. Com um contrato de R$ 150 milhões anuais, que poderia alcançar R$ 200 milhões mediante metas, o desfecho poderá influenciar o planejamento comercial do clube.
