Ir ao cinema continua sendo um desejo para a maioria das mães brasileiras, mas transformar essa vontade em realidade ainda é um desafio. Uma pesquisa realizada pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência revela que 95% das mulheres entrevistadas têm vontade de assistir a filmes nas salas de cinema, embora a falta de tempo e as responsabilidades da maternidade dificultem o acesso ao lazer.
O estudo “Mulher e Agora Mãe – Volume II”, divulgado no contexto do Dia Mundial do Cinema, celebrado em 5 de novembro, ouviu 1.138 mulheres, mães ou responsáveis por crianças de até 2 anos, de diferentes regiões do Brasil. Entre elas, 63% afirmam ter muita vontade de ir ao cinema, enquanto 32% demonstram vontade moderada.
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Apesar do interesse por atividades culturais, a rotina de cuidados limita as oportunidades de descanso e diversão. Segundo a pesquisa, 65% das participantes raramente ou nunca têm tempo para si, incluindo momentos de lazer, autocuidado e descanso.
O levantamento também aponta que 77% das mães concentram a maior parte dos cuidados com os filhos, seja por cuidarem sozinhas ou por continuarem sendo as principais responsáveis pela rotina do bebê.
Falta de tempo limita o lazer das mães
Quando conseguem um momento livre, descansar ou dormir é a atividade mais citada pelas entrevistadas, seguida por assistir a filmes ou séries em casa. Já programas fora de casa, como encontrar amigos, ir ao cinema, ao teatro ou a shows, aparecem com menor frequência.
Os resultados indicam que, para muitas mulheres, o tempo disponível acaba sendo destinado à recuperação das energias, deixando pouco espaço para experiências culturais, convivência e atividades que faziam parte de sua vida antes da maternidade.
Para Juliana Vanin, economista e consultora executiva da NOZ Inteligência, preservar esses momentos é importante para o bem-estar e para a manutenção da identidade feminina. “O lazer é uma dimensão importante da qualidade de vida, mas muitas mulheres acabam abrindo mão dessas experiências depois da maternidade. Ir ao cinema, encontrar amigos ou participar de atividades culturais são oportunidades de convivência, prazer e conexão com a própria identidade.”
“Os dados mostram que o interesse continua existindo, mas nem sempre há tempo ou condições para transformar essa vontade em realidade. É importante que as mulheres possam continuar tendo espaços e experiências que sejam delas, para além da maternidade”, completa.
O que faz as mães quererem ir ao cinema?
Mesmo diante das dificuldades, o interesse pelas salas de cinema permanece elevado. Além da vontade de assistir a filmes, a pesquisa investigou quais fatores influenciam a escolha das produções pelas entrevistadas.
O gênero cinematográfico aparece em primeiro lugar, citado por 61% das mulheres. Em seguida, estão o tema da história, mencionado por 48%, e a estreia de um lançamento esperado, apontada por 35%.
Os dados mostram que o interesse pelo cinema não desaparece com a chegada dos filhos. O desafio está em conciliar esse desejo com as mudanças na rotina e as responsabilidades do cuidado.
Para Mirian Rodrigues, presidente do CineMaterna, voltar às salas de cinema também pode representar uma oportunidade de retomar a vida social.
“Para muitas mulheres, voltar ao cinema depois da chegada de um filho é uma conquista importante. É a oportunidade de sair de casa, encontrar outras mães, conversar e voltar a fazer algo de que gostavam antes. O CineMaterna nasceu justamente para tornar essa experiência possível, criando um ambiente acolhedor para mães e bebês”, disse.
Saídas com bebês se tornam mais frequentes conforme eles crescem
A pesquisa também investigou a frequência com que as mães saem com os filhos para atividades de lazer. Entre as participantes, 56% afirmam sair com o bebê pelo menos uma vez por semana e 16% quinzenalmente. Outras 23% fazem esses programas raramente, enquanto 5% não costumam sair.
A idade da criança aparece como um fator importante nesse cenário. Entre as mães de bebês com menos de três meses, 26% não costumam sair para atividades de lazer. A proporção diminui progressivamente e chega a apenas 1% entre aquelas com filhos de 18 a 24 meses.
O receio de sair de casa também é maior entre as mães de bebês mais novos. Segundo o levantamento, essa insegurança está relacionada à idade da criança, enquanto fatores como o local e a companhia influenciam o quanto as mulheres se sentem confortáveis para realizar atividades fora de casa.