Agente da PF revela ataques a Lula em voo e rotina na prisão: “Joguem da janela”

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O agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho revelou episódios de hostilidade contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o transporte do então ex-presidente para Curitiba, em abril de 2018. Segundo o policial, tripulantes de outras aeronaves invadiram a frequência de comunicação do helicóptero que transportava Lula e dispararam frases de ódio, entre elas: “Joguem esse lixo pela janela” e “Não o soltem nunca mais”.

Os relatos estão no livro Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula, lançado nesta terça-feira (3), pela editora WMF Martins Fontes. Conhecido como “Rodrigo Hilbert da Federal”, Chastalo acompanhou parte da rotina do petista durante o período em que ele permaneceu preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

De acordo com o agente, as manifestações ocorreram durante um voo de aproximadamente 15 minutos entre o aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e a sede da PF. O comandante do helicóptero repreendeu os responsáveis pelas provocações e pediu que a comunicação fosse utilizada apenas para assuntos relacionados ao voo. Uma controladora também alertou que as transmissões eram gravadas e poderiam ser utilizadas contra os envolvidos.

No livro, Chastalo descreve ainda os bastidores da operação para receber Lula. Segundo ele, a Polícia Federal elaborou quatro planos diferentes para a chegada do ex-presidente, embora os próprios agentes não acreditassem inicialmente que a prisão realmente aconteceria.

Ao desembarcar na sede da PF, Lula estava calado e apresentava fisionomia abatida, conforme o relato do policial. A cela destinada ao petista tinha uma cama de solteiro, mesa, cadeira, armário antigo e duas janelas gradeadas, cujas aberturas eram limitadas a aproximadamente dez centímetros.

Outro episódio relatado envolve o cuidado com a alimentação do ex-presidente. No segundo dia de prisão, Chastalo decidiu comprar uma marmita em um restaurante próximo, por receio de que alguém pudesse tentar envenenar a comida fornecida pela própria instituição.

O primeiro banho de sol aconteceu somente no quarto dia de cárcere. O espaço utilizado era cercado por paredes de aproximadamente dois metros, não tinha janelas e possuía apenas uma entrada. Lula comparou o local a uma jaula.

A obra também apresenta episódios da convivência entre o agente e o petista, incluindo pedidos feitos durante a prisão, conversas políticas e visitas familiares. Entre eles, está o pedido de uma bola para brincar com o neto Arthur durante os encontros na prisão.

Lula permaneceu preso por 580 dias, até novembro de 2019, quando deixou a prisão após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a possibilidade de execução da pena antes do trânsito em julgado. Em 2021, o Supremo anulou suas condenações relacionadas aos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, por entender que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos.

Com 592 páginas, o livro reúne relatos em ordem cronológica e apresenta detalhes dos bastidores da prisão de Lula, incluindo episódios de hostilidade, procedimentos de segurança e a rotina do então ex-presidente durante o período de encarceramento.

Com informações do DCM



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