Editorial: assédio criminoso

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A democracia sofre um ataque inaceitável quando empresários transformam locais de trabalho em trincheiras partidárias. A onda de denúncias envolvendo boicotes, ameaças, constrangimentos, perseguições e até demissões motivadas por preferência política revela uma prática abusiva.

O voto pertence ao cidadão. Nenhum patrão possui autoridade para interferir nessa escolha. Trata-se de um atentado contra princípios de bom convívio. As mais de mil denúncias registradas nos dias posteriores à eleição demonstram toda a gravidade do problema.

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A liberdade política de trabalhadores assalariados, autônomos e pequenos empreendedores virou alvo de represálias movidas pelo ressentimento eleitoral. Trata-se de uma tentativa intolerável de usar o poder econômico para impor posições ideológicas e punir cidadãos pelo exercício de um direito constitucional.

Diante desse cenário, merece apoio a iniciativa do governo federal visando identificar empregadores envolvidos em assédio eleitoral e restringir acesso ao crédito público. Recursos financiados pela sociedade precisam servir ao desenvolvimento econômico, jamais ao financiamento de práticas antidemocráticas. Ao usarem sua estrutura para perseguir trabalhadores, empresários devem responder por seus atos.

A posição do Ministério Público do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho reforça a mensagem ululante: o assédio eleitoral constitui violação grave da legislação. As consequências jurídicas, econômicas e pessoais podem gerar severas punições para empresas flagradas praticando abusos.

A lei protege o direito ao voto de cada cidadão. A liberdade política perde sentido diante do medo de perder o emprego ou oportunidades profissionais. Por isso, todas as denúncias precisam ser investigadas com rigor proporcional aos fatos. Cada caso exige punição. O silêncio favorece os abusadores; a denúncia fortalece a democracia.

A livre escolha política representa um direito inviolável. Perseguição eleitoral no ambiente de trabalho merece apuração, tolerância zero e julgamento justo.



Fonte: A Tarde

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