Bahia é o estado nordestino com maior consumo de alimentos ultraprocessados

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A Bahia é o estado do Nordeste que apresenta municípios com as maiores estimativas de participação calórica de alimentos ultraprocessados: todos têm acima de 16%, e Salvador alcança 25,7% – acima da média no Brasil,de 20,2%. É o que mostra uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP).

A participação considera a porcentagem de calorias provenientes de ultraprocessados em relação ao total de calorias consumidas por um indivíduo ou população, e o estudo revelou uma grande discrepância entre os estados do Brasil. Em Aroeira do Itaim, no Piauí, foi constatada 6% de participação dos ultraprocessados, enquanto que em Florianópolis (SC) há mais de 30%.

Em geral, as médias mais altas foram observadas no Distrito Federal e nos estados do Sul e Sudeste, exceto no Espírito Santo. Os Estados da região Norte e Nordeste, com exceção da Bahia, apresentaram as mais baixas.

“O consumo alto de ultraprocessados em algumas regiões foi bem alarmante, por outro lado, baixos valores não significam uma dieta saudável”, afirma o pesquisador Leandro Cacau, autor do trabalho.

De acordo com ele, os principais objetivos eram que esses resultados fossem úteis para a tomada de decisão, especialmente para pensar políticas públicas e realizar ações mais locais. “Queremos que os municípios possam utilizar esses resultados para desenvolver estratégias específicas”, detalha o pesquisador.

A divulgação no jornal da USP ainda lembra que Niterói e Rio de Janeiro implementam leis que proíbem a comercialização de ultraprocessados nas cantinas escolares. Em Niterói, a lei sancionada em janeiro de 2023 proíbe a venda de alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos de pacote e biscoitos recheados, nas escolas da cidade. Essa medida visa a prevenir a obesidade infantil e promover hábitos alimentares saudáveis. No Rio de Janeiro, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei em junho de 2023 que proíbe a venda de ultraprocessados em escolas públicas e privadas. O projeto de lei foi elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e outras organizações da sociedade civil.

Outro dado interessante do estudo é que, em comparação com homens, a média de participação calórica entre as mulheres foi maior, embora diminua com o aumento da idade e aumente conforme nível de escolaridade e renda. A média de consumo foi maior em pessoas do meio urbano que do rural, e nas capitais em relação aos demais municípios. Apesar do enfoque na dimensão quantitativa, uma análise qualitativa é necessária para entender as razões dessas diferenças.

“Os resultados podem embasar programas municipais de cozinhas solidárias, educação nutricional, políticas de incentivo à agricultura familiar e à compra institucional de hortifrutis, e até debates sobre subsídios ou taxações que tornem os alimentos frescos mais acessíveis e desestimulem o consumo excessivo de ultraprocessados”, diz a pesquisadora Maria Laura Louzada, professora da FSP e coautora do artigo. Outra possibilidade é que os municípios usem esses indicadores para metas objetivas de redução do consumo de ultraprocessados.

Confira a participação calórica dos ultraprocessados por estado (NE)

Maranhão – 13,1

Piauí – 11,5

Ceará – 17,8

Rio Grande do Norte – 18,7

Paraíba – 16,1

Pernambuco – 19,3

Alagoas – 16,6

Sergipe – 18,4

Bahia – 19,4

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