Rejeição de MP dos impostos causará bloqueio em 2025 e impasse de R$ 35 bi no Orçamento de 2026

55

Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados/Arquivo
Plenário da Câmara dos Deputados 08 de outubro de 2025 | 17:30

Rejeição de MP dos impostos causará bloqueio em 2025 e impasse de R$ 35 bi no Orçamento de 2026

A eventual rejeição da MP (medida provisória) de aumento dos impostos pela Câmara dos Deputados deve causar um bloqueio nas despesas de 2025, incluindo emendas parlamentares, e abrir um impasse de R$ 35 bilhões no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2026, ano eleitoral.

O texto original previa não só um incremento nas receitas, mas também uma redução em despesas obrigatórias, medida crucial para fechar a proposta de Orçamento do ano que vem dentro da meta fiscal e respeitando o limite de gastos do arcabouço fiscal.

Sem a vigência da MP, cujo prazo de tramitação se encerra nesta quarta-feira (8), os parlamentares terão que revisar as projeções do PLOA. Segundo técnicos do governo, ainda que deputados e senadores inflem artificialmente a arrecadação para empurrar o problema para 2026, o ajuste na despesa, da ordem de R$ 15 bilhões, será inescapável.

A MP previa um aumento de R$ 20,9 bilhões na arrecadação em 2026 a partir da taxação de títulos hoje isentos e da ampliação dos tributos sobre fintechs e casas de apostas (bets) —esta última foi retirada do texto pelo relator, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP)

Além disso, esperava uma economia de cerca de R$ 15 bilhões nas despesas no ano que vem ao endurecer regras do seguro-defeso (benefício pago a pescadores artesanais no período em que a atividade é proibida), limitar a concessão de auxílio-doença por meio de atestado médico (sem perícia presencial) e incluir o Pé-de-Meia (que paga bolsas de incentivo à permanência de alunos no ensino médio) no piso constitucional da educação.

Segundo um técnico ouvido pela reportagem, se a MP for derrubada, o ajuste nas despesas será obrigatório pois, do contrário, o Congresso Nacional aprovaria um PLOA ilegal, que não cumpre o piso constitucional da educação.

No caso das receitas, o Legislativo poderia repor o valor com outras fontes de arrecadação ou aprovar uma despesa menor para cumprir a meta fiscal. Se isso não acontecer, ou a receita for inflada artificialmente, o governo precisará fazer um contingenciamento de recursos na primeira avaliação, programada para março de 2026. A medida alcançaria inclusive as emendas parlamentares.

Algumas das medidas de contenção de gastos foram importantes para ajudar na execução do Orçamento de 2025, sobretudo as que tratam do seguro-defeso e da limitação do Atestmed, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O diagnóstico do governo é que só no pagamento do benefício aos pescadores houve uma economia superior a R$ 2 bilhões. Nesse contexto, a derrubada da MP se reverteria automaticamente em um bloqueio de mais de R$ 2 bilhões ainda este ano —dos quais cerca de R$ 500 milhões recairiam sobre as emendas parlamentares.

A MP autorizou o governo a limitar a despesa com o seguro-defeso ao valor previsto no Orçamento, em moldes semelhantes ao praticado no Bolsa Família. Antes, o benefício era considerado obrigatório, ou seja, a previsão orçamentária precisava acomodar quaisquer concessões adicionais.

Na prática, com a alteração, quando o dinheiro disponível no Orçamento acaba, o governo não pode mais fazer novas concessões do benefício, a não ser que faça uma revisão na base de beneficiários. Com a eventual derrubada da MP, o Executivo precisaria conceder os benefícios que ficaram represados pela regra.

O governo não descarta precisar fazer, além do bloqueio, um contingenciamento para frear os gastos diante da frustração na arrecadação. São dois instrumentos diferentes, mas que no fundo têm o mesmo efeito: congelar parte dos gastos previstos para o ano.

Mais cedo, o relator da MP de aumento de impostos, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), admitiu o risco de a medida perder validade.

Na terça-feira (7), mesmo com todas as concessões feitas pelo governo, a MP foi aprovada na comissão mista por um voto de diferença. O placar de 13 a 12, segundo Zarattini, mostrou que partidos do centrão, além da frente agropecuária, não cumpriram o acordo de votar a favor após flexibilizações que contemplaram o setor. A principal foi manter isenta a tributação das LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).

Na terça pela manhã, Zarattini já havia apresentado uma nova versão de seu relatório com concessões que diminuíram a previsão de arrecadação para o ano que vem, dos R$ 20,9 bilhões iniciais para cerca de R$ 17 bilhões, segundo cálculos do relator.

Idiana Tomazelli/Folhapress



Fonte: Política Livre

Artigos relacionados

Política

Tarifaço de Trump: entenda as mudanças e como ficam as cobranças para o Brasil

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço do...

Política

Aliados de Alcolumbre veem movimento de Renan Calheiros para atingir presidência do Senado em depoimento de dono do Banco Master

Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliam com cautela a...

Política

Cúpula do Congresso sinaliza votar pena menor a Bolsonaro se pressão por CPI do Master esfriar

A cúpula do Congresso Nacional sinalizou que pode marcar, no início de...

Política

Empresária passa mal e depoimento é encerrado na CPMI do INSS

O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista...