Moraes vota pela validade da lei da Ferrogrão por não ver risco ao ambiente; julgamento para

67

Foto: Victor Piemonte/STF/Arquivo
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) 08 de outubro de 2025 | 17:15

Moraes vota pela validade da lei da Ferrogrão por não ver risco ao ambiente; julgamento para

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou nesta quarta-feira (8) para validar a lei do projeto da Ferrogrão. O relator do caso entende não haver risco ambiental no texto aprovado pelo Congresso Nacional e nem inconstitucionalidade na tramitação de conversão da Medida Provisória apresentada pelo governo.

Depois da manifestação de Moraes, o ministro Flávio Dino pediu vista —mais tempo para análise—, suspendendo o julgamento. A partir de então, ele tem até 90 dias para devolver o caso ao plenário para retomada da análise.

O julgamento trata de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional em 2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim. O texto reduziu os limites da unidade de conservação, retirando dela uma área de 862 km², com o objetivo de permitir a passagem do traçado da ferrovia.

O plenário do Supremo começou a ouvir os votos dos ministros em relação ao caso nesta quarta. Na última semana, eles ouviram as sustentações orais das partes do processo.

Na sessão, a AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o governo, afirmou que a lei seria inconstitucional, porque mudanças feitas no texto pelo Congresso enfraqueceram a proteção ao meio ambiente antes prevista, fazendo o recorte de áreas, sem compensá-las em outros locais.

Ainda assim, a AGU afirmou que o projeto seria viável, por ter seu traçado redefinido e calibrado para passar ao lado de uma rodovia que já existe no local, a BR-163.

Para Moraes, a medida provisória não reduziu a proteção da área e a lei originada da MP pode fazer essa redução desde que de forma devidamente fundamentada.

“Nós admitimos que a lei pode fazer isso, mas de forma fundamentada, com estudos de impacto, audiências com as comunidades”, disse o relator.

“E mesmo a redução representa 0,054% da área original, condicionada à efetiva implementação da Ferrogrão e para isso haverá necessidade de todas as licenças ambientais e o que não for destinado a lei determina a devolução”, seguiu.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, da cúpula dos Transportes, um panorama geral sobre o projeto da Ferrogrão e como a decisão do Supremo sobre os limites do Parque Nacional do Jamanxim, localizado no Pará, pode mexer com o futuro da ferrovia.

O projeto foi tema de um encontro entre Lula e o ministro dos Transportes, Renan Filho, nesta terça-feira (7), no Palácio do Planalto. A ordem é aguardar a decisão da corte. Independentemente do desfecho, porém, já se avaliam alternativas para manter o projeto nos planos do governo.

Ana Pompeu/Folhapress



Fonte: Política Livre

Artigos relacionados

Política

EUA devem ‘administrar’ Venezuela e extrair petróleo por ‘vários anos’, diz Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir “administrando”...

Política

Rede Sustentabilidade aciona STF para barrar lei que cria cargo “jabutis de juízes” no TJ-BA

A Rede Sustentabilidade ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), com pedido...

Política

Bolsonaro solicita inclusão em programa de leitura na prisão para reduzir pena

O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou, por meio de seus advogados, a inclusão...

Política

Deputado não esclarece origem de cerca de R$ 470 mil apreendidos em operação da Polícia Federal

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara...