Bridgerton brasileiro? Dona Beja é o novelão adulto que todos vão comentar

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Uma sociedade moralista, que subjuga uma mulher à frente do seu tempo. Esse enredo, visto diversas produções, é também o mote da nova versão de ‘Dona Beja’ na HBO Max. Protagonizada por Grazi Massafera, a trama reconta, com um olhar bastante atual, a vida de Ana Jacinta de São José, transformando o clássico folhetim da extinta TV Manchete em um manifesto sobre autonomia e resistência feminina em pleno século XIX.

A produção só estreia nesta segunda-feira, 2, mas o Cineinsite A TARDE teve acesso aos cinco primeiros episódios. A obra será disponibilizada em mais de 90 países e territórios, entre América Latina, Europa, Estados Unidos e Ásia, em uma aposta de que o Brasil possa novamente ganhar os holofotes do mundo.

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Qual a história de Dona Beja?

A artista foi escalada para dar vida a personagem principal | Foto: Divulgação

A produção é inspirada na história real de Ana Jacinta de São José, uma das figuras mais emblemáticas de Minas Gerais. Após ser acusada injustamente pela sociedade da época, ela se transforma em um símbolo de ousadia, poder e sensualidade. A primeira versão da novela foi exibida em 1986 na TV Manchete e tinha Maitê Proença como protagonista.

“Falei com a Maitê, ela me recebeu. Fui pedir bênção, né? É minha musa, uma inspiração […] Fiquei amiga da Beja”, brincou Grazi Massafera.

Com roteiro assinado por Daniel Berlinsky e António Barreira, a Dona Beja da HBO se apresenta menos como um remake e mais como uma nova leitura da história. Sem perder o rigor de época, a trama incorpora discussões atuais, como racismo, machismo, homofobia, transfobia e desigualdade social.

Berlinsky ressalta que os registros históricos sobre a Beja da vida real. “O que se sabe de verdade sobre ela cabe em meia página. Ela era uma mulher solteira, com duas filhas, que se sustentava sozinha. Só isso já bastava para virar escândalo”, afirma, ao mencionar as pesquisas realizadas a partir do acervo do museu dedicado à personagem, em Araxá.

Berlinsky também destaca que não há respaldo histórico para parte da imagem construída.

“Nada ali diz que ela era cortesã ou mulher da vida”, pontua. Para ele, a associação com a prostituição surge justamente do julgamento moral direcionado a uma mulher que ousava existir fora das normas sociais impostas.

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Novelão adulto com discussões atuais

Nos capítulos iniciais, Dona Beja se impõe como uma novela de fôlego adulto, marcada por intensidade dramática, sensualidade, vilões sem disfarces e tensões sociais bem definidas. Discussões sobre racismo, homofobia e transfobia trazem a ambientação direta para os tempos atuais, embora os diálogos pareçam exageradamente modernos e não tão adequados ao linguajar da época em alguns momentos.

Com isso a nova versão também promove deslocamentos significativos em personagens já conhecidos. É o caso de Maurício Belgard, vivido por Eduardo Pelizzari. Tradicionalmente associado ao papel de investigador, ele surge agora com uma camada íntima inédita: é um homem gay.

Quem também se destaca é Severina, personagem transexual vivida por Pedro Fasanaro, que é o braço direito de Dona Beja.

“Espero que ela desperte sororidade, empoderamento coletivo e essa ideia de força que se constrói em conjunto”, diz o ator.

A ambientação de época, com figurinos e cenários é um show à parte, assim como a atuação de Grazi Massafera, que entrega uma Beja forte e inspiradora, uma verdadeira heroína pronta para lutar contra a “gente careta e covarde”, trazida na abertura ao som de ‘Blues da Piedade’.

“É a primeira vez que eu sinto que estou realmente encarnada em um personagem com toda a minha potência. Ela me ensinou a confiar mais no instinto, na intuição, na coragem de ser quem se é, mesmo quando o mundo inteiro aponta o dedo”, conta a atriz.

O “Bridgerton” brasileiro?

A novela possui toda uma estética de época

A novela possui toda uma estética de época | Foto: Divulgação

A chegada de Dona Beja ao streaming convida a uma comparação imediata com o fenômeno ‘Bridgerton’, da Netflix, que recentemente teve a sua quarta temporada disponibilizada. Ambas as produções compartilham elementos que cativam o público moderno: cenários de época deslumbrantes, figurinos meticulosos e uma abordagem franca e estética sobre a sexualidade e cenas de sexo.

No entanto, a semelhança mais profunda reside na representação feminina. Assim como as protagonistas de Bridgerton desafiam as convenções da regência britânica para garantir suas próprias escolhas, a Beja de Grazi Massafera utiliza sua influência e beleza como ferramentas de poder político e financeiro.

Enquanto a série da Netflix fantasia uma Londres colorida e diversa, a produção da HBO Max mergulha nas raízes brasileiras para mostrar que o desejo de liberdade de uma mulher “à frente do seu tempo” é uma luta universal, seja nos salões de baile ingleses ou no sertão de Minas Gerais.

“Mulheres como Beja abriram portas para gente, e vão continuar abrindo. Eu quero também ser uma dessas mulheres, não quero me sucumbir ao que me delegam”, afirma Grazi Massafera.

Além da atriz protagonista, a novela conta com um elenco estelar composto por nomes como David Júnior, André Luiz Miranda, Bianca Bin, Deborah Evelyn, Otavio Muller, Isabela Garcia, Erika Januza, Tuca Andrada, Werner Schunemann e Thalma de Freitas, além da participação especial de Elizabeth Savalla, Othon Bastos, Elisa Lucinda, Virgílio Castelo e Lúcia Veríssimo.

Os episódios vão ao ar nesta segunda-feira, 2, na HBO MAX.



Fonte: A Tarde

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