Uma fonte de angústia, chegando às raias do desespero, é sofrer cotidianamente a saudade de uma pessoa desaparecida. Como agravante, no Brasil, três em cada 10 ocorrências são registros relacionados a crianças e adolescentes.Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam 84 mil casos, dos quais 24 mil ou 28% com menos de 18 anos. Com a ressalva do método, ao analisarmos na mesma planilha os números de um país continental, os BOs das delegacias de polícia acumulam 67 por dia.Aumentou em 8%, no ano de 2025, a quantidade de desaparecimentos notificados às polícias civis em comparação ao ano anterior. Os homens constituem maioria adulta; entre crianças e teens, as meninas e moças desaparecem mais, cotejando-se aos rapazes.Enquanto isso, é preciso verificar as chances de remendar emergencialmente este grande furo social, mais um de tantos a serem vencidos pelo Brasil. Para tanto, percebe-se a importância de identificar repetições a fim de proceder uma defesa eficiente.Um dado temporal confirma a hipótese de os sumiços ocorrerem no período entre sexta-feira e domingo. Ainda não há estudo sobre a influência da internet no avanço do número de desaparecimentos, com os possíveis prós e contras.A velocidade de construção e desconstrução de relacionamentos pode escorar-se na mudança muito rápida de padrões de sociabilidade. Por outro lado, as redes favorecem a localização, com prognóstico seguro de um empate entre o lado bom da internet e o uso sombrio.São três tipos, o voluntário; o involuntário (sem violência); e o forçado. Dentro de voluntário, tem a subcategoria estratégico, quando a pessoa decide desaparecer para escapar do risco de conviver com um companheiro violento, Dívidas com tráfico ou agiotas; vontade de mudar de vida; tédio por um casamento rotineiro; medo dos compromissos, são outros possíveis motivos.Há sete anos, o Brasil dispõe de uma política nacional de busca de pessoas desaparecidas, a intenção foi boa, falta fazer coincidir o texto e a realidade da vida.
Fonte: A Tarde