Como se sabe, a exaltação ao Carnaval se deve ao fato de a festa de origens milenares conseguir tornar-se uma boa tradutora das identidades brasileiras. Trata-se da maior farra coletiva do mundo em duração, participantes e extensão, servindo de exemplo de bom convívio, o povo ordeiro, animado e pacífico.
Diante da gigantesca aglomeração, a invicta segurança pública está capacitada a garantir tão monumental pândega, registrando-se ocorrências esparsas. Assim como em outras manifestações culturais, o Carnaval exala cheiro de povo, tendo nas ruas e avenidas a casa de todas e todos, gerando prazeres.
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A Bahia tem o privilégio de misturar pessoas, cada qual reinventando, a seu modo, o espaço público. A celebração ganha viés social, tendo por alicerce o serviço de autônomos agarrados aos seus isopores, a fim de venderem suas latinhas. Milhões de turistas circulam atraídos por essa experiência única, gerando empregos, renda e dinamismo econômico.
Dos becos às avenidas, dos blocos de rua aos trios elétricos, o Carnaval conecta regiões, sotaques e histórias distintas sob a mesma vontade de viver. A fuga à obviedade, necessária nesta era das inteligências artificiais, aumenta a relevância da folia da megafauna humana vencendo a frieza das máquinas.
A festa é, ao mesmo tempo, espetáculo e vivência, indústria cultural e manifestação espontânea, tradição e permanente invenção. Esta capacidade de reinvenção faz cada dia e noite de Carnaval diferentes de todos os anteriores, restando verificar a vitória em todas as categorias.
Em rufar de tambores, brilho das fantasias, convívio pleno de multidões pulando em sintonia, tudo aponta para o recorde de maior e melhor festa da galáxia. Pois se alegria é o estado que chamamos Bahia, seria desfeita recusar o chame gente das ruas.