A cantora Daniela Mercury reagiu à decisão judicial que garantiu ao Olodum a abertura do desfile em um dos dias do Carnaval no Circuito Dodô. Antes desfilr no trio, ela falou com a imprensa e fez um relato detalhado sobre sua trajetória na consolidação do circuito Barra-Ondina, afirmando que ajudou a construir o espaço quando ainda não havia estrutura nem visibilidade.
Segundo Daniela, sua história no circuito é documentada e marcada por luta por espaço.
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“A gente tem uma história muito clara, toda noticiada, toda documentada, desde o início. Uma história linda, de luta por um espaço para desfilar. Eu já estava estourada no Brasil, no mundo, e não consegui um espaço para desfilar na hora que eu merecia, pelo tamanho da carreira que eu já tinha. Tentei, tentei, mas havia ali uma ordem rigorosa, hierárquica.”
A artista relembrou que, diante da dificuldade de ocupar um horário considerado adequado no circuito tradicional, decidiu criar um novo movimento e anunciar publicamente que abriria o circuito na Barra-Ondina — área que, segundo ela, ainda não tinha consolidação.
“Chamei a Folha de São Paulo e anunciei que ia abrir o circuito aqui embaixo, domingo, segunda e terça, porque não tinha desfile aqui. Desci pra cá no escuro. Não tinha luz, não tinha televisão. Convenci os sócios do grupo antigo a virem pra cá, porque eles não queriam descer para um circuito que ninguém estava.”
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Horário estratégico
Ela explicou que escolheu desfilar à noite por estratégia, buscando algum espaço na transmissão televisiva e questionou mudanças feitas ao longo dos anos na ordem dos desfiles.
As televisões disseram que poderiam dar uns flashes de noite. Então eu escolhi desfilar nesse horário, porque poderia ter alguma mídia […]. Ao longo dos anos foram fazendo outras mudanças sem a nossa concordância. A gente foi avisando que não estava bom, que não era justo. Quem são os donos de nós que fazemos a história do Carnaval?”
Décadas de desfile
A cantora afirmou que permaneceu desfilando no circuito por três décadas, enquanto outros blocos deixaram de existir.
“A única que ficou de lá até aqui desfilando há 30 anos sou eu. Então por que a minha turma está antes de mim? De onde surgiram?
Apesar da insatisfação, ela garantiu que seguirá fazendo o Carnaval com a mesma entrega, mas reforçou o que considera um direito histórico. “Meu Carnaval não vai ser afetado por isso. Eu já me solidarizei com muita gente, já dei meu lugar na pipoca por várias causas. Mas não venha me dizer que eu não estou no lugar que eu mereço, porque quem fez esse circuito fui eu.”
Entenda a polêmica
A Justiça determinou que o Olodum abra o desfile em um dos dias no Circuito Dodô, decisão que impactou diretamente a ordem tradicional reivindicada pelo bloco comandado por Daniela Mercury.
A disputa gira em torno da posição de abertura no desfile, considerada estratégica em termos de visibilidade e simbolismo histórico.
O ex-diretor do Olodum chegou a chamar Daniela de “traidora” e pediu punição