Sara foi morta com 22 facadas e teve o corpo queimado –
O julgamento do assassinato da cantora gospel Sara Freitas, morta em outubro de 2023 no município de Dias d’Ávila, foi adiado pela segunda vez. A nova data foi marcada para o dia 24 de março, às 8h30, no salão do Tribunal do Júri da comarca.
A decisão é da juíza Ana Queila Loula, da Vara Criminal de Dias d’Ávila, e foi publicada no processo, que tramita sob sigilo. Segundo decisão publicada no último dia 19 de fevereiro, o adiamento ocorreu por dois principais fatores.
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- O primeiro está relacionado às festividades do aniversário de Dias d’Ávila. Embora a data oficial seja 7 de março, os eventos se estendem por toda a semana, provocando lotação da rede hoteleira.
- O segundo motivo é a reforma no prédio do fórum, com previsão de conclusão apenas para o fim de março. Uma sessão do Tribunal do Júri mobiliza dezenas de pessoas, incluindo jurados, testemunhas, advogados e forças de segurança, o que demanda plena estrutura física.
- A juíza também ressaltou que houve esforço da serventia judicial para viabilizar o julgamento, com expedição de mandados, cartas precatórias e organização logística envolvendo testemunhas de outras comarcas e estados.
O advogado da família da vítima, Rogério Matos, afirmou que os familiares seguem acompanhando o caso e aguardam a realização do júri. “A família espera que o julgamento ocorra sem novos adiamentos e que a Justiça seja feita”, declarou.
Histórico de adiamentos
O júri estava inicialmente marcado para 25 de novembro de 2025, mas foi suspenso após os advogados dos três réus deixarem o plenário de forma coletiva, alegando falta de estrutura e segurança. À época, a magistrada considerou as alegações protelatórias e determinou comunicação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para apuração.
Posteriormente, o julgamento foi redesignado para 24 de fevereiro de 2026 e depois ajustado para 3 de março, em razão de feriado local. A nova data, no entanto, também precisou ser alterada.
Quem são os acusados?
Entre os réus estão:
- o viúvo da cantora, Ederlan Santos Mariano, apontado como mentor do crime,
- Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como “Bispo Zadoque”;
- Victor Gabriel Oliveira Neves.
Eles respondem por feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa.
Um quarto envolvido, Gideão Duarte de Lima — acusado de atrair a vítima para o local do crime — foi condenado em abril de 2025 a 20 anos, quatro meses e 20 dias de prisão.
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Relembre o crime
O assassinato ocorreu em 24 de outubro de 2023. Segundo o Ministério Público da Bahia (MPBA), Sara Freitas foi atraída sob o pretexto de participar de um evento religioso. Ela foi morta com 22 golpes de faca, teve o corpo ocultado e posteriormente queimado. Os restos mortais foram encontrados três dias depois às margens da BA-093.
De acordo com as investigações, os acusados teriam agido de forma organizada, com divisão de tarefas. O MPBA aponta que o crime foi motivado por promessa de recompensa financeira e interesses ligados à carreira artística de um dos envolvidos.
As apurações indicam que Ederlan teria encomendado a morte da companheira, com quem teve uma filha, atualmente sob os cuidados da família paterna. Weslen Pablo teria desferido os golpes enquanto a vítima era imobilizada por Victor Gabriel. Os três confessaram ter dividido R$ 2 mil para executar o crime.
A família de Sara Freitas afirma que continua aguardando a realização do julgamento e a conclusão do processo.