O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, disse que a morte da ex-vereadora Marielle Franco teve, além da motivação política, caráter racista e misógino.
O magistrado foi o primeiro a votar no julgamento, pela Primeira Turma da Corte dos acusados de mandar matá-la, assim como o motorista dela, Anderson Gomes, em 2018. No discurso, Moraes falou sobre ações de queima de arquivo que, segundo o ministro, são caracterizadas pela atuação de milícias.
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“Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar pra isso?”, afirmou o ministro.
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O relator também mencionou que os acusados não esperavam ser responsabilizados.
“Numa cabeça de 50, 100 anos atrás, vamos executá-la e não terá repercussão. Eles não esperavam tamanha repercussão. E, a partir disso, uma série de execuções”, disse.
Após o voto de Moraes, votam os ministros Cristiano Zanin, Carmen Lúcia e o presidente da Turma, Flávio Dino.
São acusados pelo crime:
- Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ. Duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves;
- João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado. Duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves;
- Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ; duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves;
- Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar; duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves;
- Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão; organização criminosa.