De sobra de cerveja à carne do futuro: cientistas criam novo produto

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Resíduos de cerveja transformados em estruturas comestíveis –

Pesquisadores em Londres encontraram uma forma inusitada de transformar resíduo de cerveja em avanço científico: usar leveduras descartadas na produção da bebida para ajudar no cultivo de carne em laboratório.

O método foi detalhado em estudo publicado na Frontiers in Nutrition e propõe o reaproveitamento do fermento residual como base para alimentar bactérias capazes de produzir celulose bacteriana — material que funciona como suporte para o crescimento de células animais.

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Do descarte à estrutura comestível

O processo parte de um material abundante e nutritivo: o fermento que sobra após a fabricação da cerveja. Em vez de ser descartado, ele passa a servir como alimento para bactérias que geram a estrutura necessária para que a carne cultivada desenvolva textura e consistência.

Christian Harrison, doutorando da University College London (UCL), explicou que essa celulose bacteriana atua como base para as células animais se desenvolverem.

“Essa é a matéria-prima que usamos para alimentar nossas bactérias, responsáveis por produzir a celulose que sustenta as células e permite a criação da carne cultivada”, afirmou o pesquisador ao apresentar um frasco com a levedura utilizada em uma cervejaria no sul de Londres.

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Vantagem ambiental e textura mais próxima da carne tradicional

Embora as bactérias consigam crescer em diferentes substâncias, o uso do resíduo da cerveja traz um benefício extra: reduz o descarte e dá nova utilidade ao que antes seria lixo.

“Podemos pegar algo que seria descartado e transformá-lo em um recurso útil”, destacou Harrison.

Testes realizados com o material indicam que as propriedades mecânicas da celulose obtida são promissoras para imitar a textura e a sensação na boca da carne convencional. Segundo o pesquisador, cultivar células nesse suporte ajuda a dar mais estrutura ao produto final, aproximando-o da experiência da carne tradicional.

Mercado ainda em fase inicial

Os cientistas ressaltam que o trabalho ainda está em fase de prova de conceito. O foco, neste momento, é demonstrar a viabilidade de um suporte comestível eficiente — não um produto final pronto para comercialização.

De forma mais ampla, a carne cultivada ainda é um mercado em estágio inicial e com presença restrita no mundo. A Singapura foi o primeiro país a autorizar a venda do produto, em dezembro de 2020. Depois, os Estados Unidos liberaram as primeiras comercializações em junho de 2023.

Empresas do setor apontam que os principais desafios continuam sendo reduzir custos, ampliar a escala de produção e garantir padrões rigorosos de segurança alimentar.



Fonte: A Tarde

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