A classificação do Vitória à final do Campeonato Baiano teve roteiro de superação e, na avaliação de Jair Ventura, foi construída em um cenário completamente alterado pela expulsão de Caíque ainda no primeiro tempo.
Após o empate em 1 a 1 com a Jacuipense e a vitória por 4 a 2 nos pênaltis, no Barradão, o treinador destacou que o planejamento inicial precisou ser abandonado com apenas 15 minutos de jogo.
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“O jogo parecia que seria mais tranquilo pelo que a gente construiu nos primeiros minutos. Fizemos o gol cedo, estávamos controlando, mas a expulsão muda todo o cenário”, afirmou.
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Com um homem a menos e em vantagem no placar, o Vitória optou por controlar o ritmo e proteger o resultado até a disputa de pênaltis.
“Se estivesse 0 a 0 talvez corrêssemos mais riscos. Como estava 1 a 0, fomos controlando. O mais importante foi chegar até o final”, completou.
A responsabilidade pela expulsão, no entanto, foi assumida por Jair: “Ele errou, mas enquanto eu for comandante, a responsabilidade é sempre minha. Sempre”.
Além disso, o treinador explicou a mudança de organização vinda da substituição de Matheuzinho por Jamerson, feita por motivos táticos.
“Qual lado estava dando mais perigo? O esquerdo. Precisávamos de um jogador com mais característica de marcação. Foi convicção. Se não desse certo, a responsabilidade seria minha também”, justificou.
Arbitragem “confusa”
Jair não poupou críticas à atuação da arbitragem, embora tenha evitado questionar caráter ou intenção. Para ele, os lances foram confusos, o que prejudicou o andamento da partida.
“Hoje foi uma arbitragem muito confusa. Não vou falar de caráter, jamais. Mas foi confusa. Faltas que poderiam ter sido cartão não foram. Teve lance em que o bandeira marcou uma coisa, o quarto árbitro outra. Foi um dia ruim”, declarou.
O técnico comentou ainda que chegou a receber cartão amarelo em um lance de lateral que, segundo ele, foi posteriormente corrigido pelo próprio árbitro.
Sem volante de marcação
Além do desgaste emocional da semifinal, o Vitória terá um desafio extra para a final na Fonte Nova – Caíque, expulso, é o único volante de marcação de ofício do elenco.
“Ele é o nosso único camisa 5. Não temos outro com a mesma característica. Vamos ter que nos reinventar”, admitiu.
Jair indicou que pode alterar estrutura ou funções para compensar a ausência e ressaltou a necessidade de elenco forte em meio a uma sequência pesada de jogos.
“Em 14 dias vamos ter seis jogos. Se não tiver elenco, vai sofrer. Expulsão, lesão… isso acontece”, analisou.
Arcanjo e Marinho exaltados
Apesar das críticas e dificuldades, o treinador celebrou a postura do time na disputa de pênaltis e destacou Lucas Arcanjo como peça central da classificação.
Lucas Arcanjo, goleiro do Vitória
“Treinamos muito pênalti essa semana. Todos bateram muito bem. O Arcanjo foi muito feliz, defendeu dois. Ele também era cobrado por isso”, relembrou.
Sobre Marinho, autor da última cobrança, Jair pediu cautela quanto às expectativas. “Ele ainda não está no seu melhor ritmo. É ídolo, teve passagem brilhante aqui, mas precisamos ter calma. Pode jogar mais, pode jogar menos. A gente coloca no momento certo”, disse.
Ba-Vi com torcida mista?
Ao projetar o Ba-Vi decisivo, Jair adotou discurso clássico. “Final não tem favorito. É equilíbrio. Vamos respeitar muito o nosso adversário, mas vamos lá para ser campeão”, garantiu.
O treinador também comentou sobre a possibilidade de torcida mista na Fonte Nova, defendendo que seria “bonito para o espetáculo”, mas afirmou que respeitará qualquer decisão das autoridades.