Nenhuma democracia pode ser considerada plena quando boa parte da população vive com medo. A reação à violência contra a mulher não pode virar peça de conveniência política. Estamos diante de um problema civilizatório. Tratá-lo com leviandade nos rebaixa a bárbaros.
Devemos lembrar: nada do que as mulheres conquistaram veio da boa vontade dos homens. Veio de luta e enfrentamento. Da coragem de quem recusou o lugar subalterno que lhe foi imposto. Foi assim na conquista do direito ao voto, no acesso à universidade, no trabalho, na política, na produção de conhecimento, na chefia das instituições e nos espaços de decisão.
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A exclusão das mulheres dos espaços de decisão não se deu por acaso e pertence à mesma engenhoca que naturaliza o silenciamento, a subordinação e a violência.
Isso ajuda a explicar a tardia chegada das mulheres a lugares que elas sempre mereceram ocupar. Durante décadas, a política, o serviço público, a universidade, a ciência, o sistema de Justiça e o mundo do trabalho foram organizados por uma lógica que concentrou autoridade e visibilidade nas mãos dos homens. Esse padrão não desapareceu. Mas já não pode se esconder atrás da aparência de normalidade.
As mulheres na Bahia fazem a sua parte, ocupando espaços no mundo do trabalho, na cultura e à frente das instituições. Hoje temos uma mulher Presidenta da ALBA, uma ministra, várias secretarias de estado, a primeira coronel em 200 anos de PM. E junto com estes avanços o governo do estado faz a sua parte no cuidado com a saúde da mulher, ampliação do acesso a consultas, exames, vacinação, acompanhamento ginecológico e prevenção. Também com as escolas de tempo integral, que protegem meninas e adolescentes e dão mais segurança a muitas mães ao assegurar alimentação e acompanhamento ao longo do dia. Com a Ronda Maria da Penha, os centros de atendimento, as delegacias especializadas, as políticas de qualificação profissional e as iniciativas de geração de renda voltadas às mulheres. E se fortalece na parceria com as ações do governo Lula, que vem ampliando investimentos e reforçando a capacidade de resposta do poder público em áreas decisivas para a vida das mulheres.
Por muito tempo a questão da violência contra as mulheres foi varrida para debaixo do tapete da responsabilidade masculina. Ela não será contida enquanto os homens se permitirem a comodidade da omissão. Não é moralmente aceitável assistir a esse problema passivamente. O silêncio dos homens, o nosso silêncio, ajuda a manter azeitada a engrenagem da violência.
O respeito às mulheres precisa estar no centro do debate público. Quando as mulheres avançam, a sociedade avança com elas. São elas que sustentam a maior parte das famílias das comunidades carentes. O triunfo das mulheres é o triunfo de um povo.
Viva o 08 de Março! Viva o mês da mulher.
Jerônimo Rodrigues, Governador do Estado da Bahia.