Unidade da Inpasa dedicada à produção de etanol a partir do sorgo –
A produção de etanol a partir do milho tem avançado de forma acelerada no Brasil e já alcança números expressivos. Na safra 2024/2025, o país produziu cerca de 8,3 bilhões de litros do biocombustível, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).
O volume representa uma expansão significativa em relação ao início da indústria no país e reforça o crescimento da participação do milho na produção de etanol, que atualmente já responde por mais de 25% do total nacional.
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Para a safra 2025/2026, a expectativa é de continuidade desse avanço. A Unem projeta que a produção alcance 10 bilhões de litros, consolidando o ritmo de crescimento do setor. De acordo com Guilherme Nolasco, presidente-executivo da entidade.
“Em pouco mais de dez anos, o Brasil passou de 37 milhões de litros produzidos na safra 2013/2014 para mais de 8 bilhões de litros atualmente, evidenciando o crescimento acelerado do setor e sua consolidação na matriz energética brasileira”, afirma.
E esse avanço se reflete na estrutura industrial, “cerca de 19% do milho produzido no país é destinado à fabricação de etanol, principalmente utilizando excedentes da segunda safra”, explica o presidente da União.
Atualmente, o país conta com 27 biorrefinarias em operação, além de dezenas de unidades em construção ou projetadas, indicando uma ampliação significativa da capacidade produtiva nos próximos anos.
“A expansão do etanol de milho no Brasil tende a atuar mais como fator de integração e valorização da cadeia produtiva do grão, sendo fortemente baseada no aproveitamento do excedente da segunda safra, especialmente no Centro-Oeste”, afirma a pesquisadora Maria Lúcia Ferreira Simeone, da Embrapa Milho e Sorgo.
Do ponto de vista técnico, estudos da Embrapa indicam que a expansão do etanol de milho tende a fortalecer a cadeia produtiva, em vez de competir diretamente com outros usos do grãos.
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No campo industrial, a demanda crescente pelo milho tem alterado a dinâmica de mercado. Renato Teixeira, diretor de Comunicação e Marketing da Inpasa, uma das principais biorrefinarias da América Latina, voltada à produção de energia renovável e derivados a partir do milho e do sorgo, afirma que a capacidade produtiva da empresa acompanha esse movimento.
“Atualmente, o ecossistema produtivo da Inpasa atinge 6,2 bilhões de litros de etanol por ano no Brasil, consolidando o milho como uma matriz energética de alta previsibilidade, eficiência e baixa emissão”, destaca.
“Nossas unidades processam cerca de 13,7 milhões de toneladas de grãos por ano, gerando etanol, proteína para nutrição animal, óleos e bioenergia elétrica, garantindo o aproveitamento total da matéria-prima”, diz Renato.
A previsibilidade da demanda industrial é apontada como um dos principais fatores de estímulo ao produtor rural: “Observamos uma curva de demanda ascendente, sustentada pela segurança e estabilidade que a indústria proporciona. Diferente do mercado de exportação, nossa demanda ocorre durante os 12 meses do ano, o que incentiva o agricultor a investir em tecnologia e produtividade”, explica.
Investimento na Bahia
Renato Teixeira também afirma que a empresa, em ciclo de expansão, está investindo na Bahia com a implantação de uma unidade em Luís Eduardo Magalhães, com aporte de R$ 1,3 bilhão.
Segundo ele, “a chegada da Inpasa ao município impacta positivamente o perfil econômico do estado: o milho deixa de ser apenas um item de exportação para se tornar o pilar de uma cadeia industrial robusta. Isso gera empregos qualificados, amplia a arrecadação local e oferece ao mercado de nutrição animal do Nordeste acesso facilitado ao DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis), fortalecendo toda a cadeia produtiva regional”.
Com novos investimentos em andamento, ele conta que “estamos vivenciando o ciclo de crescimento mais vigoroso da nossa história, com novas biorrefinarias em construção, incluindo uma em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, ao final de 2027, devemos ultrapassar 8 bilhões de litros de etanol”.
A expansão, no entanto, também impõe desafios à pesquisa agrícola, especialmente no que diz respeito à sustentabilidade da produção. A pesquisadora Maria Lúcia Ferreira explica que “o desafio central é ampliar a produção sem expandir desordenadamente a área cultivada. Um dos principais objetivos é elevar a produtividade da segunda safra, com cultivares mais adaptadas a estresses hídricos e térmicos”.
Ela também destaca a necessidade de fortalecer práticas sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária, o plantio direto e programas como o “Milho Baixo Carbono”, voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló