A Bósnia e Herzegovina está classificada para a Copa do Mundo, tendo conquistado apenas a segunda participação de sua história – ainda que os atletas do país já tenham disputado o torneio quatro vezes.
A explicação, no entanto, está fora das quatro linhas, e passa pela dissolução da Iugoslávia em um dos conflitos mais violentos da Europa recente.
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Duas Copas como país
Desde a independência, em 1992, a Bósnia disputou apenas uma Copa, em 2014, no Brasil, e agora retorna ao Mundial em 2026. Antes disso, atletas nascidos no território bósnio atuavam pela seleção iugoslava, ficando em 3º lugar em 1930 e em 4º lugar em 1962, até que, de 1992 a 1995, aconteceu a Guerra da Bósnia e o colapso da Iugoslávia.
O conflito teve origem na fragmentação do país e na disputa entre diferentes grupos étnicos e religiosos, os bósnios muçulmanos, sérvios ortodoxos e croatas católicos. A independência da Bósnia, reconhecida internacionalmente em 1992, foi rejeitada por parte da população sérvia, o que desencadeou a guerra.
A guerra rapidamente se transformou em um confronto brutal, marcado por limpeza étnica, com expulsões em massa de populações civis, massacres sistemáticos, sendo o mais emblemático o de Srebrenica, em 1995, campos de concentração e detenções ilegais e destruição de cidades inteiras e patrimônio histórico.
O massacre de Srebrenica, inclusive, é considerado genocídio internacionalmente, com mais de oito mil homens e meninos bósnios executados por forças sérvias.
Outro episódio simbólico foi o cerco à capital, Sarajevo, que durou quase quatro anos, de 1992 a 1996. A cidade ficou isolada, sob ataques constantes de artilharia e snipers, com milhares de civis mortos.
Estima-se que o conflito tenha deixado cerca de 100 mil mortos e milhões de deslocados. Além das perdas humanas, o país teve sua infraestrutura devastada – incluindo estádios, centros esportivos e instituições.
O conflito terminou com o Acordo de Dayton, mediado pelos Estados Unidos. O acordo manteve a Bósnia como um único país, mas dividida em duas entidades políticas principais, em um sistema complexo que ainda hoje influencia sua governança.
Reflexos no futebol
Durante a guerra, a Bósnia não tinha estrutura para organizar uma seleção nacional competitiva. A federação só se consolidou anos depois, com o país já reconstruindo suas bases institucionais.
Por isso, sua trajetória no futebol internacional começa tardiamente. A primeira grande conquista foi justamente a classificação para a Copa de 2014, porque a Fifa considera a Sérvia como sucessora da Iugoslávia, o que significa que as participações anteriores não entram na conta da Bósnia.
Agora, depois de eliminar a Itália nos pênaltis na repescagem europeia, os bósnios vão para a Copa do Mundo no Grupo B, junto com Canadá, Suíça e Catar.