A indefinição que pairou sobre o Palácio de Ondina nos últimos meses evidenciou as fissuras internas da base aliada. Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) mantinha um discurso de “unidade” e “tempo certo” para anunciar a única vaga disponível na chapa majoritária, nos bastidores, a pressão de partidos como o PSD e o próprio PT por uma renovação na vaga de vice era latente.
O Portal A TARDE acompanhou as sucessivas investidas de outras legendas que tentaram ocupar hoje a vaga preenchida por Geraldo Júnior, alimentando especulações sobre sua substituição por um nome “mais competitivo” e uma eventual realocação do MDB em outras frentes do governo, mas o desfecho foi o “inesperado já esperado”.
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Geraldo segue na vice e vai reeditar a dupla Jerônimo e Geraldinho nas eleições de outubro. Manutenção que se deve muita à articulação e insistência da família Vieira Lima, alta cúpula do MDB na Bahia.
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Essa manutenção de Geraldo na chapa é, antes de tudo, uma grande vitória da articulação política do MDB baiano. Sob a liderança de nomes como os irmãos Vieira Lima, o partido não recuou diante das pressões externas.
O MDB utilizou sua capilaridade e alegou, desde sempre, ter consigo o peso de ter sido decisivo na vitória de 2022 como principais ativos, além de não servir de “barriga de aluguel” para nenhuma outra legenda em caso de substituição.
Fica então a percepção de que a escolha por Geraldo Júnior, no fim das contas, foi pautada pelo pragmatismo. Geraldo consolidou-se como a “melhor opção” não necessariamente por ser a primeira escolha do governador, mas por ser a única capaz de estancar uma crise na base e evitar “disse me disse” e o desembarque de um aliado de peso.
Apesar da “demora”, a definição serviu para testar a resistência dos aliados do grupo, mas o resultado final reafirma que, na política baiana, a pressão partidária e a necessidade de manutenção do arco de alianças costumam se sobrepor às preferências pessoais do gestor.
A chapa Jerônimo-Geraldo renasce não de um consenso absoluto e imediato, mas de uma costura complexa onde a sobrevivência do grupo prevaleceu sobre as tentativas de mudança. Com isso, o chamado “Time de Lula” na Bahia está oficialmente completo.