Tradicional no interior de Minas Gerais, o Tupi vive hoje o momento mais delicado de sua história. Campeão da Série D de 2011 e dono de campanhas marcantes no cenário estadual, o clube vive a dor de precisar vender um de seus maiores patrimônios para tentar sobreviver financeiramente.
A Justiça determinou a venda do histórico Estádio Salles Oliveira, em Juiz de Fora, como parte do processo de recuperação judicial aprovado no fim de março para pagar apenas metade de uma dívida milionária carregada pelo clube.
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O Salles Oliveira, com quase um século de história, está avaliado em cerca de R$ 12 milhões. O problema é que a dívida total do clube ultrapassa R$ 24 milhões, o dobro do valor do ativo.
A venda será feita por meio de uma UPI (Unidade Produtiva Isolada), mecanismo jurídico que permite negociar bens sem comprometer garantias aos credores. O processo não será via leilão, terá venda aberta e pagamento parcelado e dependerá de homologação judicial.
Da glória ao colapso
A crise atual contrasta com um passado relevante. O Tupi acumulou conquistas e protagonismo, especialmente a partir de 2011, tendo sido Campeão da Série D, conquistado seis títulos do Mineiro do Interior, conseguido o acesso à Série B em 2015.
Naquele período, o clube chegou a ser conhecido como “Fantasma do Mineirão”, por vitórias sobre gigantes como Atlético-MG e Cruzeiro.
No entanto, apesar do sucesso esportivo, o Tupi já acumulava dificuldades financeiras há anos, com salários atrasados, dívidas trabalhistas e gestão fragilizada.
A partir de 2016, o cenário desandou, com o rebaixamento da Série B (2016), uma nova queda na Série C (2018), o rebaixamento no Mineiro (2019), perda de calendário nacional e, finalmente, a queda à terceira divisão estadual.
Tentativa de tombamento
Na tentativa de salvar o estádio, chegou a existir um pedido de tombamento como patrimônio cultural – mas foi negado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac).
Estádio do Tupi
O pedido de tombamento havia sido aberto por um torcedor, como forma de preservar o estádio após um acordo firmado entre o Tupi e a construtora Rezende-Roriz. O clube, inclusive, havia se posicionado contra a medida.
Segundo a diretoria, a decisão facilitava a busca por soluções, porque o não tombamento “reduz conflitos e abre portas para que uma solução se apresente adequada para todos os envolvidos”.
A construtora, por sua vez, manteve o projeto de utilizar o terreno e propôs a criação de um memorial do clube, preservando parte da história do espaço – mas o estádio seguia sob risco de demolição.
SAF como esperança
Mas nem tudo está perdido – a esperança do clube mora na criação da UPI Futebol, que pode viabilizar a venda da SAF e recuperar o time financeiramente. A empresa Magnitude Participações Ltda. é, até agora, a única interessada publicamente na aquisição.
A ideia é organizar as dívidas, atrair investimento privado, reconstruir estrutura esportiva e retomar competitividade após a venda forçada do estádio, que prejudicará o clube não só em jogos como mandante, como também na manutenção de sua memória.
Sem estádio, fora do cenário nacional e com dívidas milionárias, o Tupi tenta sobreviver para, quem sabe, voltar aos dias em que fazia história dentro de campo.