a segurança jurídica como nova fronteira do desenvolvimento econômico

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Igor Oliveira Pinheiro é presidente do FECOMBA Biênio –

A Bahia construiu sua trajetória de desenvolvimento a partir de grandes decisões estratégicas.

A implantação do Centro Industrial de Aratu, a consolidação do Polo Industrial de Camaçari e a expansão dos distritos industriais pelo interior transformaram a economia estadual, descentralizando oportunidades e promovendo geração de emprego e renda em diversas regiões.

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Passadas décadas desse ciclo de industrialização, surge um novo desafio (menos visível, porém decisivo para o futuro econômico do Estado): a organização jurídica dos territórios produtivos.

Muitos distritos industriais foram implantados em períodos de forte expansão econômica, quando a prioridade era atrair empresas e acelerar a produção. Em diversos casos, entretanto, a consolidação fundiária e registral dessas áreas públicas não acompanhou o ritmo da ocupação industrial.

Empresas se instalaram, cidades cresceram e cadeias produtivas se estruturaram, mas parte desses territórios permaneceu sem plena regularização dominial.

Hoje, o cenário econômico global demonstra que segurança jurídica é elemento central da competitividade regional.

Investimentos produtivos buscam ambientes previsíveis, transparentes e institucionalmente confiáveis.

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Quando a propriedade imobiliária não está plenamente regularizada, surgem entraves concretos, como a dificuldade de acesso ao crédito, a limitações para expansão empresarial, a insegurança patrimonial e a redução da capacidade de atração de novos empreendimentos.

Regularizar não é apenas corrigir documentos. É transformar território em ativo econômico.

Nesse contexto surge o Programa REGISTRA BAHIA INDÚSTRIA, iniciativa construída a partir da cooperação entre o Poder Judiciário, o Governo do Estado, os municípios e o sistema de Registro de Imóveis.

O programa estabelece uma política pública inovadora ao tratar a regularização fundiária industrial como instrumento estratégico de desenvolvimento socioeconômico.

A proposta parte do reconhecimento das vocações regionais da Bahia. Cada distrito industrial representa um motor econômico específico:

  • Alagoinhas fortalece a indústria de bebidas e logística;
  • Barreiras impulsiona a agroindústria do oeste baiano;
  • Camaçari consolida um dos maiores complexos industriais do país;
  • Eunápolis integra a cadeia florestal e de celulose;
  • Feira de Santana atua como hub logístico regional;
  • Ilhéus abriga polo tecnológico responsável pela fabricação das urnas eletrônicas brasileiras;
  • Juazeiro destaca-se na agroexportação e na energia renovável do Vale do São Francisco;
  • Luís Eduardo Magalhães lidera a moderna agroindustrialização;
  • Vitória da Conquista amplia cadeias produtivas ligadas ao café, alimentos e saúde;
  • Santo Antônio de Jesus fortalece indústrias focadas na produção de bens de consumo final e distribuição regional.

Organizar juridicamente esses espaços significa liberar um potencial econômico já existente, com a segurança jurídica necessária para evolução desse tipo de empreendimento.

O Distrito Industrial de Juazeiro tornou-se exemplo concreto dessa transformação.

A regularização dominial e registral promoveu maior segurança jurídica empresarial, valorização dos imóveis industriais e criação de um modelo replicável para todo o território estadual.

A experiência evidencia que políticas públicas eficientes também se constroem por meio da governança territorial e da cooperação institucional.

O REGISTRA BAHIA INDÚSTRIA inaugura uma nova lógica administrativa: Judiciário, Executivo, municípios e registradores de imóveis atuando de forma integrada para solucionar um passivo histórico da industrialização brasileira.

Há uma mudança de paradigma, na medida em que a regularização deixa de ser ação pontual e passa a constituir política permanente de Estado.

O desenvolvimento econômico do século XXI exige mais do que infraestrutura física. Exige instituições sólidas, planejamento territorial e segurança jurídica capaz de gerar confiança para investidores e estabilidade para a sociedade.

A Bahia reúne localização estratégica, diversidade produtiva e capital humano qualificado.

Consolidar juridicamente seus distritos industriais é preparar o Estado para uma nova etapa de crescimento sustentável, baseada em eficiência institucional e valorização do patrimônio público, mediante o desenvolvimento do setor produtivo regional.

Desenvolver também é planejar, organizar e registrar.

Porque território organizado, traz como resultado primordial o avanço da economia.

*Igor Oliveira Pinheiro é bacharel em Direito e em Comunicação, presidente do FECOMBA Biênio (2024–2026), primeiro presidente do FEURB – Fundo Especial de Compensação da Regularização Fundiária de Interesse Social.



Fonte: A Tarde

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