Espetáculo sobre Cauby Peixoto desembarca em Salvador; veja mais sobre

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A voz grave, o fraseado preciso e a construção quase cênica de cada canção ajudaram a fixar Cauby Peixoto como um dos grandes intérpretes da música brasileira, uma figura que ultrapassa gerações e ainda ecoa no imaginário coletivo. É a partir desse legado que o ator Diogo Vilela chega a Salvador com o espetáculo Cauby, Uma Paixão, que será apresentado na próxima sexta-feira (8) e sábado (9), 20h, na Estação Rubi, instalada no Palacete Tirachapéu, no Centro Histórico.

Conhecido pelo timbre grave e pela construção minuciosa de cada canção, Cauby consolidou uma carreira que atravessa a era do rádio, o circuito internacional e diferentes linguagens musicais.

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Dono de uma presença cênica marcada por gestos calculados e figurinos exuberantes, tornou-se referência de interpretação e ajudou a estabelecer um padrão de excelência vocal e performática na música popular brasileira. É esse legado que serve de base para o trabalho de Vilela, que retoma um personagem que já atravessa sua trajetória artística.

Ator, diretor e dramaturgo com longa carreira no teatro e na televisão, Vilela ganhou projeção nacional também por trabalhos no humor e em novelas, mas é no palco que construiu alguns de seus papéis mais reconhecidos.

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A aproximação com Cauby não é recente: em 2006, protagonizou o musical Cauby! Cauby!, experiência que lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator, além de outras distinções, como o Prêmio APCA. Posteriormente, voltou ao universo do cantor em Cauby, Uma Lembrança (2018), aprofundando uma pesquisa que agora desemboca no espetáculo que chega a Salvador.

Repertório encenado

O espetáculo tem roteiro de Flávio Marinho e direção de Marco Aurélio Monteiro, e se estrutura a partir de canções que marcaram a carreira de Cauby, como Conceição, Molambo e Bastidores, entre outras. A seleção, segundo Marinho, parte de um repertório já consolidado em montagens anteriores, com ajustes que ampliam o potencial dramático das músicas.

“Basicamente as músicas são as mesmas que Diogo cantava no espetáculo teatral musical. São os maiores sucessos do Cauby e músicas que possam ter sua teatralidade explorada, além de incluir aquelas que ajudam a contar a história”, explica.

Mais do que uma sequência de sucessos, a dramaturgia incorpora episódios da trajetória do cantor, organizados a partir de momentos decisivos.

| Foto: Vitor Zorzal

“São momentos mais marcantes da vida pessoal e profissional de Cauby. Aqueles que promoveram uma virada na carreira ou na trajetória existencial dele, como a viagem para os EUA ou uma reflexão sobre seu estilo interpretativo”, diz o roteirista.

Em cena, Vilela é acompanhado por banda ao vivo, com piano, sopros e bateria, reforçando o caráter musical da montagem.

A encenação aposta em uma abordagem direta, apoiada na força das canções e na construção do personagem, evitando excessos cenográficos e concentrando a atenção na performance.

Maturidade e identificação

A relação de Diogo Vilela com Cauby Peixoto é anterior ao espetáculo atual e vem sendo lapidada ao longo dos anos. “Além de ter amadurecido ao fazer a personagem Cauby, o fato de já ter feito no palco anos atrás, sinto que amadureci também cantando, depois de muito trabalho com meu professor de canto, com quem faço aulas há mais de 30 anos. Sem esse apuro técnico, não poderia envergar a responsabilidade de representar Cauby também cantando”, afirma o ator.

Esse processo de maturação aparece não apenas na dimensão vocal, mas também na forma como o intérprete se aproxima do homenageado. “Cada vez mais me identifico com ele no sentido de viver da arte que amamos”, diz. A escolha de utilizar figurinos originais do cantor – doados em vida – reforça esse vínculo.

“São várias as emoções que contém esse espetáculo para mim, para produção, e até para os músicos. Somos tenazes no trabalho de conseguirmos qualidade à altura do cantor. Usar as roupas e perucas de Cauby me faz sentir protegido pela pessoa que ele foi comigo”, comenta o ator.

Imagem ilustrativa da imagem Espetáculo sobre Cauby Peixoto desembarca em Salvador; veja mais sobre

| Foto: Vitor Zorzal

A montagem também incorpora aspectos menos conhecidos da trajetória de Cauby, incluindo momentos de dificuldade. “Algum sofrimento que ele passou em sua carreira é relatado em dado momento, criando dramaticidade para à cena”, revela Vilela.

Entre gerações

A direção de Marco Aurélio Monteiro busca equilibrar memória e atualização, apostando na capacidade do espetáculo de dialogar com diferentes gerações.

“Apresentar ao público mais jovem a extraordinária carreira deste artista superlativo e aos que já conheciam é uma maneira de reviver os melhores e mais emocionantes momentos da carreira do grande cantor Cauby Peixoto”, afirma.”

A recepção recente tem indicado um interesse renovado pelo cantor, inclusive entre espectadores mais jovens. “Tenho percebido muitos jovens na plateia, o que me surpreendeu. Eles se emocionam com o show e procuram saber mais sobre Cauby!”, observa Vilela.

Nesse sentido, a variedade de públicos sugere que, mais do que um tributo, Cauby, Uma Paixão opera como porta de entrada para a redescoberta de Cauby Peixoto.

Diogo Vilela

Diogo Vilela | Foto: Vitor Zorzal

Ao mesmo tempo, reafirma a grandeza de sua obra em diferentes épocas. Assim, ao chegar a Salvador pela primeira vez, o espetáculo não apenas revisita um repertório consagrado, mas também reacende a memória de um artista cujo talento segue atravessando gerações.

Diogo Vilela: ‘Cauby, uma Paixão’ / Sexta-feira (08) e sábado (09), 20h / Estação Rubi (Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, 1, Centro Histórico) / R$ 280 e R$ 140 / Vendas: WhatsApp: 71 99993.7110 e 99992.9868, de segunda-feira a sábado, das 10h às 19h

* Sob a supervisão do editor Chico Castro Jr.



Fonte: A Tarde

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