A cidade de Amargosa, no Recôncavo baiano, vive uma espécie de divisão quando o assunto são os gastos relacionados a festas como o São João e as reais necessidades da população.
A prefeitura, por sua vez, não tem economizado nos investimentos para a realização dos festejos.
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Entre 2022 e 2025, de acordo com o Painel de Transparência dos Festejos Juninos, disponilizados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), os gastos tiveram um aumento de 204%.
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No primeiro ano citado, o valor gasto com o São João foi de R$ 2 milhões (R$ 2.017.700).
Já ano passado, o montante aplicado foi de R$ 6.1 milhões (R$ 6.140.000), ficando entre as 15 maiores cidades da Bahia que mais gastaram com a festa.
Desse total, R$ 5,5 milhões (R$ 5.540.400) foram oriundos de recursos do próprio município. Outros R$ 600 mil foram de recursos estaduais. O dinheiro foi destinado ao pagamento de 63 atrações que tocaram no evento.
Furo do teto
Em 2025, a atração que teve o maior cachê foi Simone Mendes — R$ 800 mil. Se já estivesse valendo, o valor ultrapassaria o teto de R$ 700 mil estipulado este ano pela União dos Municípios da Bahia (UPB) e o MPBA.
Na sequência, os maiores investimentos foram:
- Calcinha Preta (R$ 490 mil);
- Iguinho e Lulinha (R$ 400 mil);
- Unha Pintada (R$ 350 mil);
- e Léo Foguete (R$ 350 mil).
Elevação dos custos: os nomes para o São João de 2026
Nesta quarta-feira, 6, a prefeitura de Amargosa divulgou os nomes que vão compor a grade de atração da festa, entre os grandes nomes da música estão:
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Até o momento, os valores das atrações ainda não foram divulgados. No entanto, a tendência é a de que os custos do evento sejam ainda maiores. Em 2025, foram 9 dias de festa.
São João de luxo x carência de saneamento básico
Os robustos investimentos no festejo, contudo, contrastam com a falta de saneamento básico registrada na cidade.
De acordo com o Instituto Água e Saneamento, uma organização sem fins lucrativos que debate a democratização do acesso ao saneamento no Brasil, o município ainda tem 9.452 habitantes que não tem acesso à água.
Além disso, apenas 2,1% da população é atendida com esgotamento sanitário, frente a média de 41,4% do estado e 59,7% do país — o esgoto de 36.115 de 38.585 habitantes não é coletado.
Lixão fechado
Além da falta de saneamento básico, a cidade também foi obrigada a encerrar as atividades do chamado “lixão” após uma recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Isso porque, em 2025, o promotor de Justiça, Julimar Barreto, constatou que a situação do local colocava em risco a saúde da população e o meio ambiente.
À época, Barreto disse que as condições do “lixão” eram insalubres em área frequentada por urubus.
O lugar, segundo ele, era frequentado por catadores de materiais recicláveis, que chegaram a encontrar restos de animais abatidos.
O município, apesar de ter conhecimento da situação e ter assinado Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPBA para regularizar a situação, descumpre sistematicamente as obrigações legais relativas à gestão dos resíduos sólidos.
O portal A TARDE entrou em contato com a prefeitura de Amargosa para esclarecer o tema, mas até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. O espaço segue aberto.