Primeiro filme brasileiro em IMAX estreia com corrida automobilística

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Primeiro longa brasileiro produzido no formato IMAX, ‘2DIE4: 24 Horas no Limite‘ chegou aos cinemas com uma proposta inédita: transformar as 24 horas da tradicional corrida de Le Mans em uma experiência imersiva sob o ponto de vista do piloto Felipe Nasr.

O lançamento marca um novo capítulo para o cinema nacional ao introduzir, pela primeira vez, uma produção brasileira pensada para esse padrão de exibição. A narrativa acompanha a prova de Le Mans por uma perspectiva inédita, colocando o espectador dentro da experiência vivida por Nasr — dentro e fora das pistas — em um recorte que combina ação, tensão e drama real.

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Nascidos em Teófilo Otoni, em Minas Gerais, e com trajetória iniciada em Jundiaí, no interior de São Paulo, os irmãos André e Salomão Abdala passam a ocupar um novo patamar no audiovisual brasileiro ao apostarem em uma proposta ousada e ainda pouco explorada no país. A dupla assume o desafio de criar um filme alinhado a padrões internacionais de tecnologia e imersão.

Para isso, o projeto utiliza um dos formatos mais avançados do cinema mundial, com telas de grande escala, projeção em altíssima resolução e sistemas de som que envolvem o espectador em múltiplas direções.

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Em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE, os diretores André e Salomão Abdala detalham os bastidores do projeto, os desafios da produção e o impacto do feito para o cinema nacional.

IMAX como linguagem e marco para o cinema brasileiro

A escolha pelo formato IMAX não foi apenas um recurso técnico, mas uma decisão narrativa central para traduzir a proposta do filme. “Eu acho que a nossa ideia, desde o começo, era trazer um filme que fosse muito imersivo”, afirma Salomão Abdala, em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE.

Segundo ele, a construção da linguagem partiu da tentativa de aproximar o público da vivência de um piloto profissional. “Existe uma coisa muito interessante, que é o que significa ser um piloto de corrida. São pouquíssimas pessoas que têm a chance de ser um piloto, de pilotar uma máquina, um hipercarro, durante uma das corridas mais importantes do mundo”, explica.

A partir disso, a proposta foi clara: “A gente queria colocar a audiência em primeira pessoa. O que é estar na cabeça desse cara? O que ele passa?”.

Esse objetivo levou diretamente à decisão pelo formato. “Foi a partir disso que tivemos a ideia de: ‘precisamos fazer um filme em IMAX, porque vai ser o maior nível de imersão’. Você tem uma tela gigantesca, um som muito potente que te envolve em 360 graus”, detalha. “E, com isso, a gente consegue realmente colocar a audiência em primeira pessoa, quase como se estivesse colocando o cinto no seu banco.”

Para André Abdala, o uso da tecnologia também dialoga com o próprio gênero do filme. “Nós acreditamos muito na experiência do cinema. Isso é fato, independentemente de qual for o gênero”, afirma.

No caso específico do automobilismo, ele destaca o potencial audiovisual: “Você tem um filme de ação, pode usar e abusar do som, e existe também a questão do drama, já que o cara está colocando a vida dele em risco”.

A decisão de filmar uma corrida real, com abordagem cinematográfica, também influenciou diretamente a forma como o IMAX foi incorporado.

“A gente quis abordar isso de um jeito completamente diferente, que era filmar uma corrida de verdade, da forma mais cinematográfica possível, e depois editar como um filme, para trazer para a audiência uma experiência única”, diz André. “E a melhor forma de trazer essa experiência única é no IMAX, por conta da tela, da qualidade de som e da imersão que você vai ter dentro daquela sala.”

‘2DIE4: 24 Horas no Limite’ chegou aos cinemas no dia 30 de abril | Foto: Divulgação

Mesmo fora das salas equipadas com a tecnologia, a preocupação com a experiência do público permaneceu. “Fizemos uma mixagem especial para os cinemas fora do IMAX, para que esses espaços exibissem melhor o filme”, revela Salomão. “Foi enviada, inclusive, uma cartinha para os projecionistas, orientando que exibam o filme no nível que a gente calibrou, para que essas salas sejam ainda mais imersivas”.

Para os diretores, o impacto vai além do próprio projeto e aponta para um novo momento do audiovisual brasileiro. “O primeiro filme em IMAX sendo feito no Brasil é algo muito grande para o nosso país”, destaca Salomão. Ele acredita que a iniciativa já começa a reverberar no mercado: “Eu tenho certeza de que a gente já abriu essa porta, e isso já está sendo conversado e trabalhado”.

Financiamento próprio e desafios inéditos

Se na tela o resultado é imersivo, nos bastidores a produção foi marcada por riscos constantes e decisões pouco convencionais para o padrão do cinema brasileiro. “Difícil pra caramba. Tudo que você pode imaginar de desafio”, resume André Abdala, ao relembrar o processo de viabilização do projeto.

A complexidade começou ainda na fase inicial. “Como era um projeto muito ousado, e como nós tivemos que fazer ele muito rápido — porque a oportunidade de filmar em Le Mans, a oportunidade que a Porsche nos deu de ter acesso para filmar dentro da garagem, eram coisas muito únicas —, quando isso se alinhou, a porta se fechou para fazer um filme incentivado pela Ancine, porque isso demora anos para aprovar”, explica.

A busca por financiamento tradicional também não avançou. “Nós tentamos bater na porta de todos os estúdios possíveis, todos os streamings, patrocinadores, falar: ‘Gente, olha esse conceito, é incrível’. Todo mundo dizia: ‘É incrível, só que é arriscado demais. Meu Deus, não dá para a gente apostar’”, relembra André.

Diante das negativas, a decisão foi apostar no próprio projeto. “E aí chegou num ponto em que eu e o Salomão nos olhamos e percebemos que, um dia, ia chegar o momento na nossa carreira em que a gente teria que colocar a nossa coragem em acreditar em nós mesmos mais do que ninguém”, conta.

“Por isso, a gente resolveu financiar o nosso filme do nosso próprio bolso, arriscar tudo o que construímos como produtora publicitária para poder realizar esse sonho e trazer essa visão especial — e eu acho que única — para o público”, completa André.

Durante as gravações, o desafio ganhou outra dimensão com a ausência de um roteiro tradicional. “Como a gente não escreveu um roteiro, estamos filmando a vida conforme ela acontece e, depois, vamos roteirizar isso”, explica Salomão Abdala. A escolha aumentou a pressão sobre a equipe: “Se você perde um momento, você perdeu, acabou, você nunca mais vai ter ele”.

'2DIE4: 24 Horas no Limite' chegou aos cinemas no dia 30 de abril

‘2DIE4: 24 Horas no Limite’ chegou aos cinemas no dia 30 de abril | Foto: Divulgação

Com apenas oito pessoas acompanhando uma das corridas mais exigentes do mundo, a tensão era constante. “Eu acho que o momento foi as 24 horas de Le Mans inteira, com oito pessoas na equipe, para gravar um filme que não tinha sido feito antes”, afirma. “Existia uma pressão que, eu acho, tirava o nosso sono”.

A dinâmica exigia atenção total a cada segundo. “Era tipo: a cada segundo que eu não estou filmando algo, eu estou perdendo a oportunidade de, talvez, uma história se desdobrar ali na minha frente”, relata.

Apesar disso, o resultado surpreendeu até os próprios realizadores: “Para mim, hoje, é muito especial assistir ao filme, porque eu acho impressionante o quanto de histórias se desdobraram na frente dos seis operadores de câmera que estavam ali em Le Mans. Foi bem especial.”

Além dos desafios técnicos e financeiros, os diretores também enxergam o projeto como parte de um movimento maior dentro do audiovisual brasileiro. “Eu acho que a gente entra num momento muito interessante para o Brasil como nação, porque é um momento em que Los Angeles, Hollywood, está dando uma moral muito grande para o Brasil”, observa Salomão.

Para ele, o feito abre caminhos: “O primeiro filme em IMAX sendo feito no Brasil é algo muito grande para o nosso país”.

André reforça a dimensão simbólica da iniciativa ao defender a ampliação dos gêneros no país. “Era uma coisa que a gente queria fazer: trazer para o Brasil um filme que saísse do gênero mais tradicional, em que a gente acaba se rotulando”, afirma. “A gente também precisa abrir mais esse leque, para que o nosso público veja e para que a gente comece a crescer o nosso mercado para sermos mais respeitados lá fora”.

O esforço, segundo ele, continua mesmo após a finalização do longa. “Essa é uma das maiores forças que a gente está puxando. Eu fico até um pouco emocionado de falar isso aqui, porque é o que a gente está respirando de noite, brigando com o distribuidor, brigando com o exibidor para conseguir mais salas, para ter um espaço mais importante”, diz.

Com sessões já esgotadas, o apelo final dos diretores é direto. “Tem demanda: a gente está com sessões esgotadas, fazendo um monte de coisa. Então, tem que apoiar o Brasil. A gente precisa começar esse movimento — e vai de nós, como brasileiros, dizer: ‘isso é nosso, vamos embora’.”

Um filme sobre obsessão, não apenas sobre corrida

Embora ambientado no universo do automobilismo, o longa se constrói a partir de uma dimensão mais íntima e universal: a obsessão por um objetivo. “O nosso filme é feito assim: qualquer pessoa que gosta de corrida vai amar, mas o segundo ponto é que nós fizemos esse filme com a intenção de mostrar o que é um artista obcecado”, afirma André Abdala.

A narrativa se afasta de explicações técnicas e se aproxima da jornada pessoal do protagonista. “Você não precisa entender de corrida para entender que o sonho da vida do Felipe Nasr é ganhar Le Mans”, completa o diretor. “O filme é muito mais pessoal para o Felipe como protagonista, para você entender o que ele passa.”

Essa escolha também orientou a forma como a história foi construída. “E, mesmo que você não entenda de corrida, você consegue ver uma pessoa absurdamente obcecada por algo, tentando conquistar isso, mesmo colocando a própria vida em risco”, diz André. “E daí a gente usa toda a parte da imersão para te colocar junto com o Felipe ali dentro do carro.”

'2DIE4: 24 Horas no Limite' chegou aos cinemas no dia 30 de abril

‘2DIE4: 24 Horas no Limite’ chegou aos cinemas no dia 30 de abril | Foto: Divulgação

A recepção inicial do público reforçou essa proposta. “Foi muito interessante porque a gente já fez algumas sessões do filme — inclusive, lançamos lá fora — e o retorno, inclusive nos reviews no Letterboxd e no Rotten Tomatoes, tem muita gente falando: ‘Eu não ligo nada para corrida, mas esse filme me deu uma experiência que eu nunca tive antes’”, relata.

Para Salomão Abdala, o equilíbrio entre profundidade e acessibilidade foi uma preocupação constante. “Tentamos muito fazer um filme que, assim: se você entende muito de corrida, vai enxergar várias nuances do que está acontecendo na história. Mas, para não ficar chato para quem não entende, a gente não tenta ficar explicando a corrida o tempo inteiro, nem tudo o que está acontecendo”, explica.

A simplicidade do objetivo central guia a narrativa. “Porque a corrida é relativamente muito simples. O nosso protagonista quer ganhar. Para ele ganhar, tem que ficar na frente de todo mundo”, afirma. “É um conceito muito simples, que você não precisa ficar explicando para a audiência”.

Essa decisão também dialoga com um imaginário já consolidado no Brasil. “A gente tem um grande exemplo que todo brasileiro viu: o Ayrton Senna. Ele foi um dos primeiros a falar que o segundo é o primeiro dos perdedores. Então, todo mundo entende esse conceito”, diz Salomão.

Ao evitar didatismos e apostar na experiência sensorial e emocional, o filme amplia seu alcance para além dos fãs de automobilismo. “A gente falou: não vamos ficar explicando ou fazer um filme chato que fica preso nos detalhezinhos. Se você entende os detalhes, você vai ouvir e entender o que está acontecendo. Se não entende, não tem problema — isso não muda a forma de entender a história.”

Confira o trailer do longa



Fonte: A Tarde

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