Alfabetização mobiliza educadores em encontro realizado em Salvador

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O símbolo Adinkra Sankofa, originário dos povos Akan, da região que hoje compreende Gana e Costa do Marfim, guiou os debates do I Encontro de Educação 2026 ao reforçar a ideia de que alfabetizar também significa reconhecer histórias, identidades e trajetórias culturais no processo de aprendizagem.

Representado por um pássaro que olha para trás enquanto segue em frente, o Sankofa inspirou a identidade visual do evento promovido pelo Programa A TARDE Educação, do Grupo A TARDE, nesta sexta-feira, no Espaço Mário Cravo, na Casa do Comércio, em Salvador.

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Com o tema “Alfabetização em debate: desafios atuais e responsabilidade coletiva”, o encontro reuniu educadores, gestores municipais, especialistas, representantes da comunidade escolar e instituições parceiras para discutir caminhos capazes de fortalecer a alfabetização na Bahia.

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Ao longo da programação, os participantes destacaram que a alfabetização deve ser compreendida como uma responsabilidade coletiva, que ultrapassa os limites da sala de aula e envolve políticas públicas, formação continuada de professores, participação das famílias e compromisso institucional dos municípios.

Mediada pela coordenadora pedagógica do A TARDE Educação, Márcia Firmino, a programação da manhã contou com a palestra da professora e doutora em Educação Ana Kátia Santos, que abordou estratégias pedagógicas e políticas públicas voltadas à garantia da alfabetização na idade certa. Durante a exposição, a educadora ressaltou a necessidade de ações articuladas entre gestão educacional, coordenação pedagógica e prática docente, além do fortalecimento do acompanhamento da aprendizagem e da formação continuada dos professores.

“O Brasil ainda tem uma larga população de adultos e jovens que não acessaram a alfabetização de qualidade. Isso também se dá porque a alfabetização das crianças não está garantida como base e como prevenção para o possível analfabetismo na vida adulta. Então, concentrar na alfabetização de infância é um grande desafio e uma grande meta à qual os municípios e o Estado, de maneira geral, o Estado brasileiro, devem dar uma atenção muito especial”.

“Vamos tratar de alguns elementos importantes, como a formação de professores, pensar a alfabetização de crianças como prevenção e pensar nas teorias pedagógicas. Abordaremos quais são os caminhos teóricos que vêm sendo debatidos e garantidos na formação de professores nos cursos universitários e de pedagogia, que têm uma responsabilidade muito grande, é de lá que se formam os professores e professoras. Além disso, traremos um pouco do histórico da alfabetização no Brasil e trataremos do novo PNE [Plano Nacional de Educação], que foi aprovado agora e, inclusive, entrou em vigência este mês. Vamos tratar das metas voltadas para a alfabetização contidas no novo plano”, acrescentou.

Segundo a secretária de Educação de São Sebastião do Passé, Heide Andrade, encontros como o promovido pelo A TARDE Educação contribuem para ampliar o diálogo entre os municípios e fortalecer práticas já desenvolvidas nas redes de ensino.

“Este momento é de suma importância, porque os nossos alunos que fazem parte do ciclo de alfabetização não pertencem apenas ao município. Inclusive, sempre discutimos a necessidade de se fortalecer e estreitar a parceria entre o município e o Estado. Essa atividade realizada pelo Jornal A TARDE é de grande relevância para fortalecer o trabalho que já vem sendo, inclusive, realizado pelo município no processo de alfabetização”, afirmou.

A pauta da alfabetização também foi debatida pela secretária de Educação de Lauro de Freitas, Tamires Andrade, que destacou a importância de metodologias capazes de dialogar com os diferentes contextos sociais e culturais vivenciados pelos estudantes, especialmente nos anos iniciais da aprendizagem.

“Alfabetização na idade certa é um compromisso da nossa gestão. Mais uma vez, isso só alinha as perspectivas do que nós estamos trabalhando e as contribuições que o A TARDE pode trazer para o nosso município. Nós já estamos trabalhando, desde o ano passado, desde que assumimos a gestão, o compromisso da alfabetização na idade certa. Nós pegamos um município em que apenas 29% das nossas crianças eram alfabetizadas na idade certa e, esse ano, nós iniciamos com 39% – ou seja, um acréscimo de 10%. O município também recebeu, esse ano, o selo bronze de alfabetização. Isso, para a gente, é muito significativo. Significa que nós estamos no caminho certo para fazer a alfabetização na idade certa”, disse.

Para a articuladora municipal da Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização (Renalfa) da Secretaria de Educação Salvador, Débora Abreu, o encontro representou “um importante espaço de diálogo, reflexão e construção coletiva em defesa da alfabetização”.

Cordel como ferramenta pedagógica

A programação da tarde contou com uma vivência prática sobre o uso do cordel como ferramenta pedagógica, conduzida pelo professor, poeta e cordelista Antônio Barreto. Reconhecido nacionalmente pelo trabalho voltado à cultura popular, o educador já publicou mais de 180 folhetos de cordel abordando temas sociais, educação e valorização da identidade cultural brasileira.

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Durante a atividade, Antônio Barreto apresentou possibilidades de utilização do cordel em sala de aula como instrumento de incentivo à leitura, à escrita, à oralidade e à criatividade dos estudantes.

“Falar de literatura de cordel é uma oportunidade boa para mostrar a prática do cordel dentro da sala de aula como um instrumento pedagógico, capaz de auxiliar o professor e o aluno. Além disso, permite fazer com que o estudante se aproxime do mundo mágico da leitura, porque as novas tecnologias estão afastando as crianças dos livros. O meu trabalho com o cordel é exatamente esse: fazer com que o aluno se aproxime do mundo mágico da leitura através do cordel”.

Antônio Barreto é professor, poeta e cordelista | Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

Alfabetização como prioridade

I Encontro de Educação 2026

I Encontro de Educação 2026 | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

A coordenadora de Educação Infantil e Ensino Fundamental da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), Graciene Guimarães, afirmou que a alfabetização segue entre as prioridades da política educacional baiana e destacou as ações desenvolvidas pelo Programa Bahia Alfabetizada em todo o estado. Segundo ela, a iniciativa atua em cinco eixos, que incluem avaliação diagnóstica e formativa, reconhecimento educacional, infraestrutura, formação de professores e fortalecimento das redes municipais de ensino.

“Temos atuado também no processo formativo. Atualmente, está acontecendo a formação para os professores de 4 e 5 anos por meio do ProLEEI [Programa de Leitura e Escrita na Educação Infantil], bem como a formação para os estudantes do 1º ao 5º ano, com a intencionalidade de fortalecer e consolidar a alfabetização na idade justa e também a recomposição das aprendizagens”, ressaltou.

Graciene também informou que a SEC pretende lançar, ainda este ano, um edital de boas práticas para reconhecer municípios que apresentem avanços nos indicadores relacionados à educação infantil e à alfabetização. A coordenadora ressaltou ainda a parceria entre a SEC, a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a União dos Municípios da Bahia (UPB) na consolidação das ações formativas e no fortalecimento das políticas públicas de alfabetização em todo o estado.

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Quanto aos resultados alcançados, a coordenadora destacou o avanço de 19 pontos percentuais nos índices de alfabetização da Bahia. Segundo ela, o Indicador de Criança Alfabetizada (ICA) passou de 36% para 55%, cenário que, apesar dos avanços, ainda exige estratégias específicas para municípios com diferentes níveis de desempenho.

“Saímos de um indicador que nos deixava muito angustiados. Hoje, o quadro do estado mostra municípios que já alfabetizam quase 90% das crianças; temos 98 municípios acima dos 70% e aproximadamente 200 que estão na faixa entre 45% e 69%. Mas, ainda há um grupo alfabetizando menos de 44%. Por isso, pensamos em estratégias para atender esses três grupos (G1, G2 e G3), atuando de forma efetiva e com estratégias dedicadas a cada um deles. Temos muito a avançar, pois ainda falamos de 45% das crianças que não estão alfabetizadas no tempo justo, mas, temos muito o que comemorar”, destacou.

Presente no evento, o secretário de Educação de Camaçari, Márcio Neves, afirmou que o encontro fortalece a troca de experiências entre os municípios e amplia as possibilidades de reflexão sobre os desafios atuais da alfabetização.

“A importância do evento em si, essa troca de experiência e essa vivência diferenciada que os municípios acabam também trazendo, a própria qualidade do nível do debate com os palestrantes que são colocados – tudo isso nos ajuda a fazer reflexões, principalmente quando se trata de um novo movimento que está associado à alfabetização. E entendemos que a alfabetização na idade certa se estabelece, principalmente, na conclusão do segundo ano dos anos iniciais. No caso especial, nós entendemos que só fazemos sete anos uma vez na vida; e é por isso que é necessário que, com esse ciclo, nós precisemos fechar: saber ler, escrever, interpretar e garantir esse direito às crianças de completar esse processo”, disse.

O I Encontro de Educação 2026 contou com o apoio da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), Bahiagás, Embasa e Rio Energy.



Fonte: A Tarde

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