Uma escrivã da policial civil identificada como Maria Madalena Silva, de 63 anos, denuncia ter sido vítima de constrangimento, injúria e humilhação após ser acusada de furtar um pacote de frango em uma unidade de mercado da Rede Mix, em Lauro de Freitas.
Em entrevista ao portal A TARDE, Maria Madalena afirmou que asituação ocorreu na última quinta-feira, 7, causando abalo emocional, crise de choro e descontrole da diabetes, sendo necessário atendimento médico após a situação.
Segundo ela, tudo começou após sair de uma outra rede de supermercado, onde havia comprado um pacote de frango e três garrafas de vodka. Como trabalha próximo à delegacia de Lauro de Freitas, decidiu entrar na unidade da Rede Mix apenas para pesquisar o preço de leite condensado.
A policial contou que carregava as compras do outro estabelecimento em uma sacola aberta e que, antes mesmo de deixar o mercado, percebeu que um segurança observava tanto ela quanto os produtos.
“Antes de sair, o segurança olhou para mim e olhou para a sacola. Eu percebi alguma coisa estranha, mas como a gente está inocente, não imagina nada”, relatou.
Acusação
Pouco depois de deixar o local, já na rua, ela foi abordada por um segurança do estabelecimento que a acusou de ter furtado um frango da loja. “Apareceu um rapaz todo de preto dizendo que eu tinha pego um frango da Rede Mix. Eu expliquei que o frango tinha sido comprado no Atacadão e que eu tinha a nota fiscal, mas ele nem quis olhar”, contou.
De acordo com Maria Magdalena, o segurança insistiu para que ela o acompanhasse, mesmo após ela negar o furto e oferecer a comprovação da compra. A vítima afirma que começou a temer ser levada à força quando percebeu outro segurança se aproximando.
“Quando vi outro segurança vindo em minha direção, pensei: ‘Agora eles vão me levar’. Eu não sabia nem para onde”, disse.
A escrivã afirmou que, diante da insistência e da acusação, precisou revelar que era integrante da Polícia Civil para tentar interromper a abordagem. “Eu não queria nem me apresentar como polícia. Queria ser respeitada como cidadã, como mulher, como ser humano”, afirmou.
Segundo ela, mesmo após a identificação funcional, o segurança se recusou a acompanhá-la até a delegacia para esclarecer o caso.
Foi macho para me acusar de furto e depois não quis ir à delegacia para sustentar a acusação
Ação do supermercado
Abalada, Maria Madalena retornou ao mercado acompanhada de colegas para apresentar a nota fiscal diretamente à gerência da loja. No entanto, afirma que a situação se tornou ainda mais constrangedora.
De acordo com o relato, a gerente teria afirmado que os seguranças eram terceirizados e que situações semelhantes já haviam acontecido outras vezes. “Ela disse que eles eram acostumados a fazer isso e que já tinha chamado atenção deles várias vezes.
Para Maria Magdalena, a abordagem foi motivada por preconceito racial, social e etarismo. “Eu estava de lenço na cabeça, com roupa simples, tênis simples. Acho que olharam para mim e imaginaram que eu tinha furtado. Eu só queria respeito como mulher, como uma mulher idosa sozinha na rua”, declarou”
Crise emocional e problema de saúde
Após retornar à delegacia, Maria Magdalena disse ter sofrido uma crise emocional. Segundo ela, colegas precisaram ajudá-la após o episódio.
“Quando cheguei na delegacia, desabei. Tive uma crise de choro e não conseguia nem falar. Minha diabetes descontrolou, meu açúcar caiu muito. A médica ficou preocupada comigo. Isso mexeu com meu corpo todo. Até falta de ar eu senti”, afirmou.
Prisão dos seguranças
Após o ocorrido, a servidora registrou queixa na 23ª Delegacia Territorial (DT) e os dois seguranças foram presos em flagrante.
Além disso, a vítima passou a receber acompanhamento da diretoria do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc). O presidente do sindicato ressaltou a gravidade do episódio e reforçou o compromisso da entidade com a defesa dos seus filiados.
“O sindicato não irá tolerar qualquer forma de discriminação e vamos acompanhar o caso até que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados para assegurar justiça à escrivã e reforçar a luta contra o racismo e a injúria racial”.
Até o momento, a Polícia Civil da Bahia segue investigando o caso e tentando imagens da situação.
O portal A TARDE tenta contato com a Rede Mix para se posicionar sobre o ocorrido.