Argumento é de que honraria não pode ser concedida a figuras cuja conduta pública esteja sob questionamento ético –
Um grupo de dez vereadores da Câmara Municipal de Salvador (CMS) formalizou um pedido de anulação da entrega do título de cidadão honorário ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
O motivo central da ofensiva é a grave crise ética instaurada após revelações de que o parlamentar teria usado o cargo para intermediar negócios milionários privados, o que, para os legisladores, desqualifica qualquer homenagem pública.
Caso Dark Horse
A bancada argumenta que a honraria — destinada a trajetórias exemplares — é incompatível com as recentes suspeitas de que Flávio Bolsonaro teria articulado o repasse de R$ 134 milhões junto ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O objetivo do montante seria o financiamento de Dark Horse, um filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para os autores do requerimento, esse cenário configura:
- uso da influência política para captar recursos vultosos em benefício de interesses familiares
- afronta aos princípios do Artigo 37 da Constituição Federal, que exige integridade absoluta de agentes públicos
- mistura entre o público e o privado, utilizando o prestígio do Senado para chancelar transações financeiras atípicas
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Proteção à imagem do Legislativo
O documento destaca que manter a homenagem diante de áudios e indícios de irregularidades no setor cinematográfico mancharia a imagem institucional da capital baiana.
Os vereadores defendem que o Estado não pode “chancelar trajetórias sob suspeição”, exigindo que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) suspenda a outorga até que as investigações sejam concluídas.
“A concessão de títulos exige conduta exemplar e serviços relevantes à coletividade, requisitos que se chocam frontalmente com as suspeitas de tráfico de influência e uso do cargo para benefícios privados.” — Trecho do requerimento.
Tentativa de intimidação
Enquanto a Câmara de Salvador busca preservar a moralidade pública, aliados do senador tentam frear as investigações. O deputado federal Helio Lopes (PL-RJ) acionou o STF e o TSE contra o veículo Intercept Brasil, responsável por revelar o caso.
Em nota, o portal classificou a medida de Helio Lopes como uma “escalada grave contra a liberdade de imprensa”, denunciando o uso de instâncias superiores para tentar intimidar jornalistas e proteger o senador das revelações sobre o financiamento milionário do banco Master.
Assinaram o pedido de suspensão os vereadores Aladilce Souza, Eliete Paraguassu, Davi Rios, Felipe Santana, Hamilton Assis, Hélio Ferreira, João Cláudio Bacelar, Marta Rodrigues, Silvio Humberto e Randerson Leal.