Bob Marley é celebrado com shows, cinema e samba-reggae em Salvador

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Roteiro reúne música, ancestralidade e cinema jamaicano na Bahia –

A relação da Bahia com o reggae atravessa gerações e ajudou a transformar Salvador em uma das principais vitrines do gênero no país. Terra de nomes como Edson Gomes, Sine Calmon, Sérgio Nunes e Dionorina, a capital baiana também foi a primeira cidade brasileira a instituir oficialmente o Dia do Reggae. Há 26 anos, o 11 de maio, data de nascimento de Bob Marley, mobiliza fãs, artistas e coletivos culturais em homenagens que reafirmam a força do movimento local.

O reggae em Salvador se consolidou como expressão política, cultural e identitária, ocupando ruas, praças, centros culturais e fortalecendo novas gerações de artistas. Para celebrar a data, diversos espaços da capital recebem shows, encontros e atividades que dialogam com ancestralidade, resistência e cultura jamaicana. Confira alguns destaques.

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Projeto Bob Marley Vive

Em mais um ano, a Associação Cultural Aspiral do Reggae realiza o projeto Bob Marley Vive, que reúne sessões especiais, shows e o lançamento da Marcha da Consciência Negra. Há 14 edições, a iniciativa reafirma a potência do reggae e fortalece a cena local por meio de atividades culturais, rodas de conversa e apresentações.

Com mais de 30 anos de atuação no movimento, a produtora cultural e publicitária Jussara Santana avalia que o projeto Bob Marley Vive chega à sua 14ª edição em um momento de fortalecimento da cena na capital baiana. Segundo ela, o crescimento do reggae pode ser percebido na ampliação do número de bandas, DJs, sound systems e iniciativas espalhadas pela cidade.

“Hoje a gente pode ver que nós temos 176 bandas, DJs, sound systems, artesanato. Tem passeios, tem vários lugares que têm atividade com o reggae”, destaca Jussara.

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As ações do projeto começaram no último sábado, 9, mas a programação segue nos próximos dias. No sábado, 16, acontece o show Elas Cantam Bob, na Praça Jubiabá, no Pelourinho, R$ 10, reunindo 12 mulheres da cena reggae baiana, entre cantoras, poetisas e DJs, em uma homenagem ao rei do reggae marcada pelo protagonismo feminino.

O encerramento será no dia 29 de maio, às 18h, com o show Bob Marley Vive, comandado por Kamaphew Tawa, banda Aspiral do Reggae e convidados.

“Nosso intuito é consolidar a visibilidade ao Dia Nacional do Reggae, fortalecer a cultura reggae na Bahia, com produtores, bandas, artistas e coletivos. O reggae não é só música, é também um estilo de vida expresso na maneira de ser, de se comportar e de pensar, vivido pelos rastafári”, enfatiza Jussara Santana.

Marley in Jazz

Nesta sexta-feira, 14, às 19h, o Pontão de Cultura Jazz na Avenida, na Boca do Rio, recebe o evento Marley in Jazz. A entrada será mediante a doação de um kg de alimento ou Pix solidário. Sob a direção musical do guitarrista, arranjador e pesquisador musical Wadson Calasans, o evento Marley in Jazz propõe releituras sofisticadas da obra de Bob Marley, misturando a força do reggae com improvisações e nuances do jazz.

A banda é formada por Wadson Calasans (guitarra), Rogery Machado (trompete), Nilton Azevedo (sax tenor), Milton Pelligrini (baixo) e Laurent Rivemales (bateria). Juntos, os músicos reinterpretam clássicos como Get Up, Stand Up, Three Little Birds e Satisfy My Soul, criando uma experiência sonora que atravessa diferentes ritmos e atmosferas.

A proposta é transformar a noite em um encontro entre liberdade criativa, improvisação e reverência ao legado de Bob Marley.

Jamaica em Cena

No domingo, 17, o terraço do Cine Glauber Rocha recebe o evento Jamaica em Cena, reunindo música, cinema e cultura reggae em uma programação dedicada às vibrações jamaicanas. Ingressos no site do Cine Glauber Rocha.

Entre as atrações está DJ Raiz, conhecido pelos sets conectados às raízes do sound system e da cultura jamaicana. O artista explica que sua participação será uma espécie de recepção musical para o público antes da exibição do filme Rockers, clássico jamaicano de 1978, com lendas do gênero como Burning Spear, Gregory Isaacs, Big Youth e outros.

“Eu estarei numa vibe de recepção do público para a grande atração, que é a exibição do Rockers. Convidei artistas para apresentar seus trabalhos, como o reggaeman, mais clássico de Salvador, Alumínio Roots, e meu parceiro Lula Valois para cantar uns clássicos jamaicanos. Reggae Bahia e Jamaica”, destaca Raiz.

Com vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos, o terraço do Glauber será transformado em um ponto de encontro para amantes do reggae, com repertório que atravessa clássicos e sonoridades contemporâneas. “É um evento multicultural, representativo e histórico. A exibição desse clássico jamaicano em uma sala de cinema como o Glauber é inédita no Brasil, talvez no mundo. Quem conhece sabe a importância disso”, afirma.

Para o artista, participar do encontro também tem um significado simbólico. “Estar nesse evento é levar a essência do reggae para um espaço simbólico de Salvador. É conexão, ancestralidade e vibração coletiva. O reggae é isso: mensagem e encontro”, destaca.

Asé Samba Reggae

Também no domingo, 17, o Centro Cultural SESI Casa Branca recebe o show-manifesto Asé Samba Reggae Revolution, da artista Akadan, anteriormente conhecida como Nitorê Akadan. Apresentação às 17h, ingressos por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia, Sympla).

Filha das águas, Akadan conduz o público por diferentes vertentes do samba-reggae em um espetáculo estruturado em três eixos conceituais: “O Sagrado”, com cantigas e toques de matriz afro-brasileira; “A Resistência”, com releituras de clássicos dos blocos afro de Salvador; e “A Expansão”, em que o samba-reggae dialoga com blues, jazz, MPB e outras sonoridades globais.

Em formato mais orgânico, com voz, violão e percussão, o show busca evidenciar a potência rítmica e poética da música baiana. A direção artística é assinada por Thiago Romero, enquanto Lucas Maciel assume a direção musical, criando pontes entre tradição e contemporaneidade. A apresentação contará ainda com participações especiais de Diogo Sampaio, Romero e Bruna Silva Poesia, reforçando o conceito de aquilombamento artístico presente na cena musical negra contemporânea.

Akadan afirma que o espetáculo nasce também como um convite à escuta e à troca coletiva. “Espero encontrar ouvidos e corações dispostos a ouvir as mensagens que resgatei ao longo da pesquisa para a montagem deste espetáculo. Quero dividir um pouco do meu mundo com cada pessoa que se encontrar com a minha arte. As pessoas podem vir para partilhar esse axé forte e sair renovadas dessa experiência”, destaca a artista.

O legado de Akadan também se revela em sua trajetória familiar. A artista é filha de Neguinho do Samba, criador do samba-reggae e fundador da linguagem percussiva que transformou o Olodum em referência mundial.

“Sou uma semente do samba reggae, oriunda do centro histórico, Pelourinho, filha do criador do samba reggae, apaixonada pela discografia dos blocos afro de Salvador, e pela forma de educar através das poesias e canções”.

Mais do que uma influência estética, o samba-reggae aparece em sua obra como herança viva, ferramenta política e continuidade de uma revolução cultural negra iniciada nas ruas de Salvador. Em Asé Samba Reggae Revolution, cada canto e cada toque reafirmam que essa revolução segue em movimento.

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.



Fonte: A Tarde

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