A proteção de crianças e adolescentes tem compromisso permanente

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A campanha Maio Laranja reforça a urgência de proteger crianças e adolescentes contra diferentes formas de violência. Mais do que marco simbólico, o período convida a sociedade a refletir sobre a necessidade de ações contínuas e articuladas para enfrentar um problema agravado pela ampliação do ambiente digital.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que os registros de violência sexual contra esse público permanecem elevados no país. Ao mesmo tempo, a SaferNet Brasil aponta crescimento nas denúncias de crimes online, como aliciamento, exposição de imagens e exploração sexual, evidenciando novas formas de vulnerabilidade.

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Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes entre janeiro e abril de 2026, aumento de 49,48% em relação ao mesmo período do ano anterior. O canal é uma das principais ferramentas oficiais para denúncia de violações de direitos humanos no país.

Espaços de convivência

A violência, no entanto, não se restringe ao meio digital. Ela também ocorre em espaços de convivência próximos, o que dificulta a identificação. Silêncio, medo e desinformação ainda são barreiras importantes ao enfrentamento.

Nesse contexto, a proteção integral deve ser entendida como processo intersetorial. A articulação entre saúde, educação e assistência social é essencial para identificar sinais precoces, acolher vítimas e orientar famílias. A escola, nesse cenário, ocupa papel estratégico, fundamental para proteção e acolhimento.

Mais do que espaço de aprendizagem, o ambiente escolar pode atuar como território de escuta e construção de vínculos. Educadores preparados conseguem perceber mudanças de comportamento e sinais de sofrimento, funcionando como ponte entre estudantes, famílias e redes de proteção. Promover uma cultura de cuidado e diálogo é uma das formas mais eficazes de prevenção.

Experiências do Instituto de Saúde e Educação do Nordeste (ISEN), em parceria com o poder público em escolas de Coração de Maria, mostram que ações voltadas ao fortalecimento emocional, à formação de educadores e ao protagonismo juvenil ampliam a capacidade de resposta diante de situações de vulnerabilidade. Ao integrar práticas educativas e cuidado psicossocial, a escola se consolida como elo entre políticas públicas e comunidade.

O avanço da violência digital exige novas abordagens. Orientação sobre uso seguro da internet e desenvolvimento do pensamento crítico são fundamentais para reduzir riscos. O Maio Laranja deve ser entendido como parte de uma agenda permanente. Garantir o direito de crescer com segurança é responsabilidade coletiva, e urgente.



Fonte: A Tarde

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