Brasil acelera projeto para colocar carros voadores no ar; entenda

6

Os chamados “carros voadores” estão cada vez mais próximos de virar realidade no Brasil. A Revo, principal operadora de táxi-aéreo do país, finaliza o mapeamento das primeiras rotas comerciais de eVTOLs, aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, e projeta iniciar as operações a partir do último trimestre de 2027, no cenário mais otimista.

A empresa já assinou contrato para compra de até 50 aeronaves da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, e aposta inicialmente em trajetos de mobilidade urbana, principalmente conectando aeroportos e centros empresariais.

Tudo sobre Economia em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

Em entrevista ao jornal O Globo, o CEO da Revo, João Welsh, revelou que o foco inicial será a ligação entre o centro expandido de São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, além de rotas dentro da capital conectando regiões como Paulista, Faria Lima, Berrini e Alphaville.

Segundo o executivo, a procura pelo serviço já existe entre passageiros que desejam escapar do trânsito intenso da cidade. “Existe uma demanda de passageiros que querem previsibilidade ao fazer esse caminho, já que o trânsito na cidade só piora”, afirmou.

A Revo opera voos de helicóptero desde 2023 e pretende transformar parte desse público em usuários das futuras aeronaves elétricas. Atualmente, a rota para Guarulhos já representa o maior gerador de receita da empresa.

Além dos deslocamentos urbanos, a companhia também avalia futuras rotas para cidades industriais paulistas, como Campinas e São José dos Campos. Apesar disso, a empresa considera que as operações intermunicipais ainda exigem estudos mais complexos por conta da distância e dos custos.

O modelo escolhido para a operação é o Eve 100, aeronave que segue em fase de testes pela Eve Air Mobility. Recentemente, a subsidiária da Embraer concluiu uma campanha de 59 voos focada em manobras de sustentação estacionária e baixa velocidade.

O próximo desafio será a fase de transição do equipamento, considerada uma das mais complexas do projeto. Nela, os propulsores verticais transferem força para hélices horizontais, permitindo que a aeronave voe de forma semelhante a um avião convencional.

Enquanto isso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acompanha o processo de certificação do equipamento. Ao O Globo, Roberto Honorato, diretor da agência, destacou que a Eve trabalha para obter a certificação comercial entre o fim de 2027 e o início de 2028.

“Fazemos uma avaliação do processo como um todo, porque a Eve, apesar de ser uma empresa nova, é um spin-off da Embraer, que tem bastante experiência em certificação de produtos aeronáuticos. Quando a Embraer entrou com pedido de certificação, já acompanhamos o desenvolvimento de vários sistemas, por exemplo, um simulador que está em São José dos Campos. Ele serve como laboratório para testar o conceito de operação do equipamento”, explicou.

Apesar do avanço da tecnologia, ainda existem desafios importantes antes que os “carros voadores” passem a operar em larga escala no país. A adaptação de helipontos para vertiportos, a instalação de infraestrutura elétrica e a integração urbana estão entre os principais obstáculos.

Welsh afirmou que o maior desafio atual pode estar justamente na infraestrutura das cidades e na necessidade de coordenação entre diferentes órgãos públicos. “A parte de infraestrutura das cidades talvez me preocupe um pouco mais. São várias entidades e envolvem vários tipos de licenciamento, não sendo mais uma questão aeronáutica apenas. Vai exigir uma coordenação grande entre todos os departamentos da cidade”, disse.

Mesmo diante dos desafios, o executivo acredita que o Brasil pode se tornar um dos primeiros países do mundo a colocar esse novo modelo de transporte aéreo em operação comercial.



Fonte: A Tarde

Artigos relacionados