A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, ‘Dark Horse’, está atualmente em fase de pós-produção, nos Estados Unidos. O filme está passando pelos retoques finais, com a inserção de efeitos especiais e de trilha sonora.
A estreia está prevista para setembro deste ano, porém, no entorno bolsonarista há quem defenda a antecipação do lançamento para tentar virar a página e encerrar o assunto o quanto antes, segundo O Globo.
Após a pós-produção, Dark Horse ainda precisa encontrar uma distribuidora e ser registrado na Agência Nacional do Cinema (Ancine) para ser lançado nas salas brasileiras.
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Polêmicas
O longa-metragem está no centro do escândalo do Banco Master. Isso porque, de acordo com o The Intercept, o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), cobrou dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro supostamente para o financiamento da produção.
Flávio afirmou ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro, pagos por meio de uma empresa ligada a ele para um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.
Nenhum deles explicou por que era necessária a intermediação do fundo, o que levantou a suspeita de que o dinheiro estivesse sendo usado para financiar o autoexílio do filho 03 nos Estados Unidos.
Produtora sem experiência

Responsável pela produção de Dark Horse, a Go Up Entertainment nunca lançou um filme, nem no Brasil nem no exterior. A jornalista Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up, disse que a produção e a pós-produção do filme já custaram US$ 13 milhões (o equivalente a R$ 65,7 milhões, na atual cotação do câmbio).
O valor da produção é maior do que o de filmes brasileiros recentes que foram indicados Oscar, como ‘O Agente Secreto’ (R$ 28 milhões) e ‘Ainda Estou Aqui’ (R$ 45 milhões).
Outras duas empresas que constam no sistema da Ancine no nome de Karina – a Go7 Assessoria e a ONG Instituto Conhecer Brasil – também nunca registraram nem lançaram nenhuma produção em território nacional, seja em cinema, TV aberta ou fechada.
Multa
Um procedimento para apurar do caso foi instaurado pela Ancine. O objetivo é verificar, entre outras questões, qual foi o papel efetivo da Go Up na realização da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
A Ancine quer esclarecer se a Go Up era a principal produtora de Dark Horse ou se foi apenas contratada por uma empresa estrangeira.
As regras da agência estabelecem que a filmagem de uma produção internacional no Brasil deve ser feita sob a responsabilidade de empresa registrada na Ancine, a quem caberá comunicar a agência e apresentar uma série de documentos, como cópia do contrato, plano de filmagem e passaporte de cada profissional estrangeiro contratado. Porém, isso não aconteceu.
Além disso, na última terça-feira, 19, aliados do presidente Lula (PT) acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir a estreia do filme até as eleições, sob a alegação de a obra pode funcionar como “peça de comunicação política de enorme impacto” e configurar propaganda eleitoral “dissimulada”, financiada por recursos milionários de “origem suspeita”.
Alegam ainda que a proximidade do lançamento do filme com o pleito de outubro “amplia o risco” de que a obra funcione como “ativo de campanha”, com ampla repercussão em cinemas, plataformas digitais, redes sociais, streaming, entrevistas, eventos promocionais, trailers, cortes e impulsionamentos na internet.