Segurança viária é política de todos os dias

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Salvar vidas no trânsito é uma responsabilidade que não cabe em um único mês. O Maio Amarelo que se encerra agora faz parte de uma agenda que a Prefeitura de Salvador construiu para ser permanente, com dados, educação, engenharia, comunicação e fiscalização. Falar de segurança viária só em maio seria, no mínimo, insuficiente.

Em 2025, a cidade registrou 135 mortes no trânsito. São 9% a menos do que no ano anterior — um resultado que mostra que estamos no caminho certo e que o esforço coletivo produz efeito. Mas no mesmo período, 4.924 pessoas foram feridas, 4% a mais do que em 2024. Cada um desses números é uma família impactada, uma história interrompida ou transformada para sempre.

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Os dados também nos dizem onde concentrar esforços. Motociclistas foram 52% das vítimas fatais e 77% dos feridos em 2025. Pedestres responderam por 41% das mortes. Quem está mais exposto nas ruas segue pagando o preço mais alto pelos comportamentos de risco. A pressa de alguns não pode custar a vida de outros.

É nesse contexto que precisamos falar com clareza sobre fiscalização — e desfazer um equívoco que persiste. Ainda há quem tente reduzi-la à ideia de punição ou ao rótulo negativo. Essa visão não resiste aos fatos: Em 2025, por exemplo, no radar com mais registros de excesso de velocidade da cidade, na Av. Bonocô (sentido Centro) passaram 9 milhões de veículos. As infrações representaram apenas 0,44% desse total. O problema, portanto, está em uma parcela pequena de condutores, muitas vezes reincidente, que transforma velocidade em risco coletivo e precisa ser alcançada antes que cause uma tragédia.

Na Transalvador, entendemos que fiscalizar é proteger principalmente os mais vulneráveis: o pedestre, o motociclista, o passageiro, o ciclista, o idoso, a criança — e o próprio condutor e sua família. Não existe infração que compense uma vida perdida.

A velocidade importa porque ela decide o que acontece depois de um erro. Quanto maior a velocidade, menor o tempo de reação, maior a força do impacto e menor a chance de sobrevivência. Desacelerar, portanto, é abrir a possibilidade de que um erro humano não termine em morte.

A melhor fiscalização, aliás, não é a que registra mais infrações mais. É a que faz o condutor pensar antes de acelerar. Quando a percepção de que ele pode ser fiscalizado em qualquer trecho, a qualquer hora, leva alguém a respeitar o limite da via, a política pública já cumpriu sua missão: prevenir antes que seja tarde.

Por isso, Salvador se prepara para ampliar a fiscalização preventiva de velocidade nas vias mais críticas, aquelas que concentram mais mortos e feridos, como a Avenida Luís Viana (Paralela). Esse movimento será guiado por análise de dados e orientado pelo objetivo de preservar vidas. Uma cidade que fiscaliza melhor é uma cidade que cuida melhor.

O trânsito que queremos exige regras claras, vias mais seguras, presença constante do poder público e responsabilidade compartilhada por todos. Após mais um Maio Amarelo, reforço a mensagem da campanha que segue pelo menos de Junho e que reforça: “A pressa passa. a perda fica. Desacelere!”

*Superintendente da Transalvador



Fonte: A Tarde

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