Educação climática, território e justiça socioespacial

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A emergência climática constitui um dos maiores desafios da sociedade global, não apenas por seus impactos ambientais, mas também por suas profundas implicações sociais, econômicas e territoriais.

Nesse contexto, a educação climática emerge como um instrumento fundamental para a formação cidadã, sobretudo quando articulada às discussões sobre território e justiça socioespacial.


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A educação climática deve possibilitar uma compreensão crítica das relações entre sociedade, natureza e desenvolvimento, evidenciando as desigualdades que marcam essas relações.

O modelo de “desenvolvimento” predominante, fundamentado na expansão contínua da produção e do consumo, tem contribuído para a intensificação das mudanças climáticas e para a ampliação das desigualdades socioambientais. Embora os impactos da crise climática sejam globais, eles não atingem todos os grupos sociais da mesma forma.

As populações mais pobres, frequentemente localizadas em áreas vulneráveis nas periferias urbanas e em regiões com infraestrutura precária, tendem a sofrer primeiro e de maneira mais intensa os efeitos de enchentes, deslizamentos de encostas, secas, ondas de calor e outros eventos extremos.

Dessa forma, a questão climática revela-se também uma questão de injustiça social e territorial.

A categoria território assume papel central nessa análise, pois permite compreender como as relações de poder, as políticas públicas e as dinâmicas econômicas produzem espacialmente desigualdades.

O território não é apenas um espaço físico, mas uma construção social marcada por disputas, interesses e diferentes formas de apropriação dos recursos naturais.

Nesse sentido, a justiça socioespacial busca evidenciar e enfrentar os mecanismos que concentram benefícios em determinados grupos enquanto transferem riscos e prejuízos ambientais para populações historicamente marginalizadas.

A educação climática, quando orientada por uma perspectiva crítica, contribui para a formação de sujeitos capazes de interpretar essas contradições e participar ativamente dos processos de transformação social. Assim, a formação cidadã deve estimular o pensamento crítico, a participação política e o reconhecimento do território como campo de direitos.

Enfrentar os desafios das mudanças climáticas exige não apenas soluções tecnológicas ou econômicas, mas também uma profunda transformação produtiva, cultural e educativa.

A construção de uma cidadania climática pressupõe o fortalecimento da justiça socioespacial e a capacidade coletiva de questionar e redefinir os modelos de desenvolvimento que produzem simultaneamente riqueza, exclusão, miséria e vulnerabilidade ambiental.

Nesse processo, a educação desempenha papel estratégico na construção de sociedades mais democráticas, sustentáveis e socialmente justas.

*Antonio Lobo é professor da UFBA, doutor em Geografia Humana pela USP, , pesquisador visitante na City University of New York (2020/22)



Fonte: A Tarde

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