Terapia comunitária transforma vidas e ressignifica dores em Salvador

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Moradores do Novo Horizonte têm um importante espaço de escuta gratuita |  Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

É em uma das dependências do Centro Pastoral Afro Heitor Frisotti (Cenpah), localizado no bairro do Novo Horizonte, em Salvador, que vidas passam a ter novo sentido, cores e direção. É num espaço simples que, por meio da Terapia Comunitária Integrativa, o extraordinário acontece.

É em uma roda de conversa que pessoas com diferentes problemas, mágoas, feridas, ressentimentos e traumas encontram espaço para uma escuta sensível e acolhedora. São muitos os relatos e traumas pelos quais esses integrantes passaram e ainda passam: racismo, luto, violência doméstica, preconceito, depressão e outras condições que afetam a vida de quem convive com elas. São feridas sendo ecoadas, corações pedindo cura, olhares pedindo ajuda.

A iniciativa, vinculada à Pastoral da Escuta, é coordenada por Luciene Matos de Souza, terapeuta, psicanalista, e por uma outra voluntária, também com especialização na área.

Aspas

A Terapia Comunitária Integrativa tem um protocolo que é a acolhida, uma sensibilização que ajuda as pessoas a se reconhecerem dentro do grupo, a esquecer um pouco o que está lá fora

Luciene Matos

“A partir dessa escuta a gente faz um exercício do que está incomodando, o que quer deixar nessa roda, o que substituir com aquilo que não está fazendo bem. Essa terapia não pode ser feita só por um coordenado, só por uma pessoa porque precisa de uma escuta muito atenta. A terapia comunitária não tem a função terapêutica no sentido clínico, tem a função de rede de apoio, de dar sustentação para que a pessoa, em alguns casos, busque ajuda”, explicou.

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Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

Pessoas sendo acolhidas, vidas sendo transformadas

Sem nenhum custo financeiro, os encontros ocorrem às terças-feiras, na Rua Albino Fernandes, aberto para todos aqueles que tiverem interesse em participar. Ainda na entrevista, Luciene comemorou os benefícios que a iniciativa tem proporcionado à população.

“Pessoas que, através da terapia comunitária, têm buscado a terapia individual. Isso tem sido um ganho absurdo de transformação das pessoas. A gente tem algumas pessoas que chegaram aqui com muita dificuldade, às vezes não conseguia falar direito, quando começava a falar ficava tremendo. Hoje essa pessoa está com uma objetividade maior, uma consciência da sua autoestima, da sua autoimagem, pessoas que voltaram a estudar. Têm várias pessoas aqui que conseguiram entender, teoricamente, como o processo da infância reflete na vida hoje”, declarou.

Aspas

As pessoas desmistificam a ideia de que Deus resolve tud, e começam a perceber que Deus ajuda, mas são elas que fazem o processo

Luciene Matos
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Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

Sofrimento ressignificado

Para a produção dessa matéria, a reportagem do MASSA! acompanhou um dos encontros e, como citado acima, são muitos os relatos, os traumas. Entre os mais difíceis de se ouvir e presenciar, foi o relato de uma das integrantes, uma mulher negra, falar que antes da terapia comunitária não se sentia bem em abraçar ou se aproximar de uma pessoa de pele branca por se sentir inferior.

“Me faltava voz. Mas isso passou a mudar depois que comecei a frequentar aqui e, aos poucos, botar para fora o que eu sinto. Dói mais ainda por saber que esse preconceito e racismo também vêm de pessoas da família”, disse ela, em lágrimas.

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Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

Georgina Reis, de 48 anos, também faz parte do grupo. Quando questionada sobre o que a levou a procurar a terapia comunitária, ela relatou os episódios de violência doméstica que sofreu por parte do ex-companheiro, pai do seu filho.

“Confesso que eu era relutante, mas no primeiro dia que eu vim já foi libertador porque eu expressei as emoções que eu carregava. Já são três anos fazendo parte do grupo e não quero me afastar nunca porque foi graças a aqui que eu voltei a ter vida, autoestima, cuidar de mim”, contou ao MASSA!.

Além dessas mulheres, mais de 100 pessoas já fizeram parte da Terapia Comunitária, desde 2022, quando a atividade teve início na Paróquia São Daniel Comboni.

Fonte: A Massa

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