Aos 20 anos, o estudante Igor Bastos Silva alcançou um feito inédito para a educação de Itabuna. Ele se tornou o primeiro itabunense aprovado na University of Notre Dame, uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos, com uma bolsa integral que cobre todos os custos da graduação em Ciências Políticas.
Filho de Lussiede Bastos dos Santos e Moacir de Matos Silva, Igor construiu uma trajetória marcada pela participação em projetos educacionais, competições acadêmicas e iniciativas de impacto social. Ex-aluno da Escola Cultural de Itabuna e do Colégio Adventista de Itabuna, ele atribui parte de sua formação aos valores aprendidos dentro de casa.
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Segundo o estudante, a convivência com os pais e a avó despertou desde cedo a sensibilidade para questões sociais e a importância da solidariedade. “Aprendi na prática o significado da liderança social observando minha família ajudar outras pessoas e participando de ações voluntárias”, afirmou.
Ainda no ensino médio, Igor começou a participar de simulações da Organização das Nações Unidas (ONU), experiências que ampliaram seu interesse por temas globais e abriram portas para oportunidades internacionais. Ele se destacou em conferências promovidas por Harvard, tornando-se o primeiro itabunense premiado em edições da Harvard Model United Nations (HMUN), além de participar de um programa de verão em Relações Internacionais na Universidade Yale.
Experiências em conferências internacionais ajudaram a impulsionar a trajetória acadêmica de Igor Bastos
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Foto: Arquivo pessoal
Ao longo da trajetória, também foi Deputado Jovem Baiano, conquistou reconhecimento na Olimpíada Brasileira de Tecnologia e participou de programas de formação de lideranças juvenis com alcance internacional.
Mãos Mágicas: educação, inclusão e cidadania
Paralelamente às conquistas acadêmicas, Igor fundou a organização Mãos Mágicas, iniciativa voltada à democratização do ensino de Libras e à valorização da comunidade surda.
Hoje, o projeto oferece aulas semanais para cerca de 150 estudantes da Escola Municipal Pedro Jerônimo, em Itabuna, por meio de uma equipe formada por professores voluntários. A iniciativa já impactou mais de 750 crianças surdas e ouvintes em diferentes estados brasileiros e até fora do país.
Igor Bastos e alunos do Mãos Mágicas, iniciativa que já impactou centenas de crianças dentro e fora da Bahia
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Foto: Arquivo pessoal
Para Igor, o trabalho vai além do ensino da Língua Brasileira de Sinais. “A gente não ensina apenas Libras. Trabalha cidadania, empatia e mostra às crianças que elas também podem ser agentes de transformação social”.
Reconhecido como Jovem Transformador pela organização internacional Ashoka, ele afirma que uma das maiores recompensas é mostrar aos alunos que eles também podem ocupar espaços de liderança e protagonismo.
Mesmo com a mudança para os Estados Unidos prevista para agosto, as atividades da ONG continuarão em funcionamento sob a coordenação da diretora executiva Thayane Silva.
Os desafios de chegar longe
Embora celebre a aprovação, Igor destaca que o caminho até a universidade americana foi marcado por obstáculos. Entre eles, a distância geográfica dos grandes centros onde normalmente circulam informações sobre oportunidades internacionais e as dificuldades financeiras para participar de eventos e processos seletivos.
“Muitas vezes eu estava longe das oportunidades e precisava buscar apoio para conseguir participar. Foi um processo de muita persistência”.
Outro desafio, segundo ele, foi superar a sensação de não pertencer a determinados espaços. “Aprendi que levar a cultura, a identidade e as vivências do interior da Bahia para esses ambientes é algo importante e necessário”.
Representando Itabuna no mundo
Para o estudante, ser o primeiro itabunense a conquistar uma vaga na universidade americana tem um significado que vai além da realização pessoal. “O mais importante é abrir portas para que outros jovens da cidade também possam chegar a esses espaços”.
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Em uma das redações enviadas durante o processo seletivo, Igor escreveu sobre o significado de pertencer a Itabuna, cidade cujo nome remete à expressão indígena associada às “pedras pretas”. A metáfora serviu para retratar a resiliência da população local diante dos desafios, especialmente em momentos difíceis, como as enchentes que atingiram a região.
Agora, prestes a iniciar uma nova etapa da vida acadêmica nos Estados Unidos, ele afirma que pretende utilizar o conhecimento adquirido para continuar contribuindo com a educação. “Meu sonho é voltar e ajudar a construir políticas públicas educacionais que transformem a realidade de outros jovens, assim como a educação transformou a minha”, concluiu.