Teve uma reação moralmente válida o pugilista olímpico e torcedor do Bahia, Hebert Conceição, ao repudiar pela internet as ofensas ao presidente do Vitória Fábio Mota. Fazia seu exercício dominical na orla o dirigente, embalado pela sensação de plenitude, após a conquista da Copa do Nordeste, quando foi admoestado por integrantes da uniformizada Bamor.
Ora, o que se podia esperar de desportistas habitantes da mesma cidade, diante de um contexto de êxito de um dos times locais, seria um abraço de parabéns, não palavrões nem agressões. Também seria natural a admiração ao trabalho de quem conquistou seu terceiro título, tirando o clube pioneiro e fundador da condição de rebaixado para a de vencedor.
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Acresce o acúmulo de recursos, alcançando quase 10 milhões com os triunfos desta temporada, avançando o Leão na Copa do Brasil, após vencer o protegido Flamengo. Os palavrões tornam-se ainda mais descabidos quando se verifica a grandeza do Bahia, incompatível com o descontrole de seus seguidores organizados de galera.
O desporto foi criado para o convívio, educando-se os torcedores de times distintos para a admiração mútua, sabendo-se da importância do outro – o alter – para o eu – o ego. Desfaz-se, assim, este engodo da rivalidade e da rejeição, pois sequer haveria como se dizer tricolor sem a necessária doação de sentido ao rubro-negro, e de lá para cá.
Deve, portanto, a dedicada Bamor, por meio de sua combativa direção, vir a público desculpar-se com Fábio Mota – e mais: adquirir arranjos para enviar ao clube coirmão. O poderio não está em ceder aos impulsos e ímpetos, e sim no exercício da liberdade de controlá-los, cabendo aos desportistas reconstruir o relacionamento.
A Bahia é referência histórica nesta trajetória por forjar caráteres pela via do desporto, tanto assim a ponto de coincidir o Dois de Julho com o dia do sportsman (desportista). Quanto mais forte o Vitória, maior o Bahia, que se vê no dever de superar o coirmão; quanto mais longe alçar voo o Bahia, maior o esforço do Vitória em não perdê-lo de vista.