“Bahia está no caminho certo no combate à violência”, declara Marinho Soares

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Nascido e criado no Cabula, em Salvador, o advogado criminalista, mestre e doutor em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor de Criminologia, capitão do Exército e especialista, palestrante e consultor em Segurança Pública, José Mário Soares, mais conhecido como professor Marinho Soares, conversou com o Jornal A TARDE com exclusividade sobre a atual situação da segurança pública na Bahia

Professor Marinho, como o senhor avalia a segurança pública da Bahia em relação aos dados do Atlas da Violência de 2026 que a coloca no topo do ranking?

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Os dados estão corretos, mas há algumas questões a serem esclarecidas. A Bahia, que tem um tamanho e uma população maiores do que a de muitos países, possui mais de dez facções criminosas atuando no território. Além disso, houve uma migração muito grande de traficantes do Rio de Janeiro para a Bahia, isto é fato. E por quê? Para aumentar os lucros do tráfico de drogas e armas, dentre outros crimes. E eles disputam o controle dos territórios entre eles o tempo todo, em confrontos armados entre os rivais, com muitas execuções e homicídios com crueldade, o que impacta nos números das cidades e do estado.

Um exemplo é o município de Jequié, apontado como o mais violento do estado. Se você perguntar aos moradores, eles dizem que não sentem esse terror na cidade. A criminalidade é medida principalmente pela sensação de segurança das pessoas. Em São Paulo, por exemplo, que tem uma população mais de três vezes maior do que a da Bahia, tem-se a menor taxa de homicídios do país porque lá atua apenas uma fação criminosa, que é o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Então isso quer dizer que não é uma falha do estado no combate ao crime?

O trabalho de combate à criminalidade que vem sendo feito na Bahia está eficiente e no caminho certo, e os números comprovam isto. A Bahia tem registrado uma redução consistente do número de homicídios, especialmente nos últimos quatro anos. Entre 2023 e 2024, ocorreu uma queda de 6,5%. Em uma perspectiva de cinco anos (2019 a 2024), a diminuição acumulada foi de 8,8%, e de 12,5% nos últimos dez anos. Em 2024, Salvador registrou o menor número de mortes violentas desde 2005, uma queda histórica.

Além disto, neste período, houve um crescimento de 50% na apreensão das armas de fogo e uma maior produtividade investigativa com um aumento no número de inquéritos e taxas de esclarecimento de crimes e também das operações policiais integradas.

Temos visto muitas críticas da oposição ao governo Jerônimo na área da segurança pública, acusando-o de falhar no combate à criminalidade e ao crime organizado, e que a polícia da Bahia não entra em territórios dominados por medo. Como o senhor avalia estas acusações?

São críticas rasas, eleitoreiras e vazias. O governo da Bahia está fazendo o trabalho que tem que ser feito, está na direção correta, mostrando resultados que tendem a melhorar ainda mais no médio e longo prazo com ações que veem sendo realizadas em várias frentes. Claro que não acontece na rapidez que as pessoas esperam porque não é algo simples – não foi ontem que nasceu essa situação da violência no país. Você não resolve um problema de 50 anos em um ano eleitoral com um discurso simplista. A Bahia registrou uma queda de 25% nas mortes violentas nos últimos 20 anos e vem registrando a diminuição na taxa de homicídios todos os anos. E a polícia da Bahia entra em todos os territórios, não tem um lugar que a polícia não entre para garantir a ordem pública. E tem outra coisa: o combate ao crime organizado na Bahia acontece de forma tão séria que os líderes fugiram todos do estado, porque sabe que se ficarem serão presos ou mortos no confronto.

Se o senhor fosse o governador da Bahia, o que faria para melhorar a segurança pública no estado?

Eu continuaria as políticas bem sucedidas que o governo já realiza de prevenção social, levando cidadania, documentação, saúde e educação aos territórios mais vulneráveis e de implantação de escolas que ofertam ensino de tempo integral no estado, oferecendo atividades esportivas, culturais e qualificação profissional para as crianças e adolescentes, retirando-as da rua e dando mais dignidade e futuro. São mais de 700 e outras estão sendo construídas e isso resulta em resultados comprovados.

Daria seguimento à estratégia e aos investimentos em tecnologia e inteligência que já tem no estado para o combate qualificado ao crime organizado, voltado ao desmantelamento financeiro e logístico das facções criminosas, bloqueio de contas, apreensão de bens e sequestro de bilhões de reais do tráfico e à apreensão de armas de fogo e fuzis; o uso intensivo de câmeras de reconhecimento facial nas ruas, terminais e eventos de massa para prender os foragidos da Justiça; e o uso das câmeras corporais na farda dos policiais, que protegem o bom policial e inibem as possíveis más condutas, com um debate profícuo com a sociedade, e à boa formação e capacitação contínua da polícia da Bahia, que não tem essa cultura de milicianos e de corrupção que existe no Rio de Janeiro, onde atuei nas ruas com o Exército.

E acrescentaria duas coisas: uma proximidade maior com o meio acadêmico nas universidades, que pesquisam e estudam a segurança pública, e a criação de um fundo para o acolhimento e assistência material e de saúde mental (psicológico e psiquiátrico) do que eu chamo de efeito colateral do combate ao crime, que são as pessoas inocentes que acabam sendo vítimas da violência, as que perdem a vida com as balas perdidas dos confrontos entre a polícia e os criminosos, e depredação do seu patrimônio.

A direita costuma acusar a esquerda de ser negligente com a segurança pública e de “proteger bandidos”. O senador Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para pedir ao presidente Donald Trump a classificar o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas e os seus eleitores comemoraram, enquanto o presidente reprovou a atitude, reforçando a tese de que a direita é que sabe combater o crime. Isto fará o Brasil a ser um país mais seguro?

Classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, em termos de segurança pública, não muda nada. Talvez essas pessoas tenham a ilusão de que o Exército americano virá ao Brasil e irá invadir as comunidades e fazer com que elas sejam pacificadas e não é assim. Se os Estados Unidos resolvessem alguma coisa em relação ao crime organizado não existiriam estados americanos com tantas pessoas drogadas no meio da rua. Nos EUA, as drogas deterioram mais a população do que no Brasil. Em relação à esquerda proteger bandidos e o presidente Lula ter amizade com traficantes, claro que não é verdade, eles tentam colocar essa pecha a qualquer preço. São discursos políticos e eleitoreiros. O que a esquerda faz é um debate profícuo com conhecimento e medidas que realmente impactam a segurança pública e dentro do cumprimento da lei, sem milicianos envolvidos. A Polícia Federal no governo Lula tem autonomia e investimentos para investigar grandes esquemas de desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e organizações criminosas com ramificações internacionais e em múltiplos estados, haja vista as recentes operações de bloqueio de bens e dinheiro, inclusive na Faria Lima.

Falta para a direita sentar e estudar um pouquinho sobre a segurança pública para entender as políticas públicas que têm resultado. A direita governa o Rio de Janeiro há 31 anos, mas o Rio é conhecido mundialmente pela violência e criminalidade, além de ter uma polícia sabidamente corrupta e ser um estado com forte atuação das milícias, que atuam ilegalmente. E o senador citado, que é do RJ e nunca fez nada pela segurança em seu estado já condecorou milicianos, tem amizade e admiração por eles, já contratou família de milicianos em seus gabinetes e é envolvida com o crime organizado até o pescoço.



Fonte: A Tarde

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