Faltando pouco mais de três meses para o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já definiu os candidatos a governador que irá apoiar nos nove estados do Nordeste. A estratégia busca preservar sua principal base eleitoral e garantir palanques competitivos em uma região que tem sido decisiva para o PT nas disputas presidenciais.
Desde a eleição de 2006, Lula e os candidatos petistas ao Planalto venceram em todos os estados nordestinos. Por isso, a montagem dos palanques estaduais é vista como peça fundamental para manter o chamado “colchão de votos” da região e evitar que disputas locais enfraqueçam a candidatura à reeleição.
Toda a articulação foi comandada pelo ex-ministro da Educação Camilo Santana, responsável por coordenar a estratégia do PT para a eleição presidencial e negociar alianças no Nordeste.
Como ficaram os apoios?
Conforme apurado pelo portal A TARDE, Lula terá candidatos do PT em cinco dos nove estados da região. Nos demais, os nomes pertencem a partidos que integram a base aliada do governo, como PSD, PSB, MDB e PP.
A única exceção é o PP, que nacionalmente integra a Federação União Progressista ao lado do União Brasil, bloco de oposição ao governo federal.
A distribuição dos apoios ficou da seguinte forma:
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
- Maranhão: Felipe Camarão (PT)
- Piauí: Rafael Fonteles (PT)
- Ceará: Elmano de Freitas (PT)
- Rio Grande do Norte: Cadu Xavier (PT)
- Paraíba: Lucas Ribeiro (PP)
- Pernambuco: João Campos (PSB)
- Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
- Alagoas: Renan Filho (MDB)
Bahia é peça central da estratégia de Lula no Nordeste
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, é o principal nome do tabuleiro de Lula no Nordeste. Por comandar o maior estado da região, o petista tem se dedicado a fortalecer a própria imagem ao lado do gestor baiano desde o fim do ano passado e tem intensificado agendas institucionais em municípios do estado, especialmente em Salvador.
Como Jerônimo é candidato à reeleição, Lula também encontra um cenário mais favorável na Bahia. Nesse cenário, a estratégia da campanha é consolidar um trabalho político iniciado na eleição de 2022.
O principal adversário do PT no estado volta a ser o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo, ACM Neto (União Brasil). Diferentemente de Jerônimo, ele ainda não definiu qual presidenciável apoiará na disputa pelo Palácio do Planalto.
Embora faça parte do mesmo campo político do principal adversário de Lula, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Neto avalia a possibilidade de construir um entendimento com Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto.
Impasse em Pernambuco
Diferentemente da Bahia, onde o apoio de Lula a Jerônimo Rodrigues nunca esteve em discussão, em Pernambuco ainda havia incerteza sobre qual candidato receberia o respaldo do presidente.
Na última segunda-feira, 15, o ex-prefeito do Recife João Campos divulgou um vídeo em que Lula declara apoio à sua pré-candidatura ao governo de Pernambuco. Na gravação, o presidente afirma que a aliança entre PT e PSB representa um “compromisso histórico”.
A manifestação pública ajudou a encerrar especulações sobre uma possível divisão de apoios no estado. Nos bastidores, integrantes do PSB demonstravam preocupação com a aproximação entre o governo federal e a governadora Raquel Lyra (PSD), que disputará a reeleição.
Raquel tem reforçado os laços com o Palácio do Planalto desde que deixou o PSDB e se filiou ao PSD, partido que integra a base de apoio de Lula no Congresso.