Paz provisória

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Para quem ufanou-se de uma vitória arrasadora e insofismável, em três ou quatro dias, começando a campanha com o assassinato do líder supremo Ali Khamenei, conseguir um acordo de paz provisória de 60 dias será uma saída para sempre lembrada como um dos maiores vexames da história das guerras, recuando os Estados Unidos da condição de predador para a de humilde conciliador diante do Irã.

O Palácio de Versalhes foi o local da assinatura da trégua, em acordo firmado às pressas, a tempo de poder ser celebrada no próximo 4 de julho, quando a superpotência bélica comemora 250 anos de independência.

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Uma data antes celebrada por todo o mundo livre, hoje simbolicamente reduzida a escombros e desconfiança, após mais uma trôpega gestão de Donald Trump, desdizendo todos os valores com os quais as nações amigas e até as inimigas aprenderam a identificar como os mais avançados no convívio humano.

A suspensão temporária das hostilidades implica descartar a escalada do conflito

Com a paz, a economia mundial, ainda dependente de petróleo, terá o alívio da plena reabertura do Estreito de Ormuz, gargalo por onde, nas primeiras 24 horas de trégua, já escoaram 12,5 milhões de barris, representando 20% do combustível transportado em escala planetária.

Com o retorno da segurança para os petroleiros, afasta-se o risco de um choque energético global, e indesejadas inflação e recessão.

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A suspensão temporária das hostilidades implica descartar a escalada do conflito, embora o parceiro estadunidense, Israel, mantenha o ânimo genocida, bombardeando o sul do Líbano e forçando o deslocamento da população.

Ainda há pendências fortemente alarmantes, em especial a insistência de Teerã em ampliar seu estoque radioativo, assegurando não ter intenção de produzir bombas nucleares.

O memorando de 14 pontos inclui a transferência de US$ 300 bilhões para reconstrução do Irã e devolução de US$ 20 bi em fundos congelados.

Para não sentir-se mais humilhado, Donald Trump já hesita em pagar, embora não esteja em condições de escapar à responsabilidade.

Afinal, partiu dele a péssima ideia de tentar subjugar a república islâmica assentada sobre uma civilização de 5 mil anos – a invicta Persia.



Fonte: A Tarde

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