Olodum critica descaracterização do São João, “cada um na sua casa”

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O grupo cultural Olodum manifestou publicamente, nesta quarta-feira, 24, uma importante preocupação com os rumos das festividades juninas no Nordeste.

A liderança do bloco criticou o que classifica como uma “invasão” de géneros musicais alheios às tradições do São João, alertando para as consequências profundas que a perda de espaço da cultura local exerce sobre a identidade e a soberania do cidadão.

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“Quando você deixa alguém invadir a sua própria cultura, você deixa de ser cidadão”, declarou um integrante do grupo, estabelecendo um vínculo direto entre a preservação das manifestações artísticas tradicionais e o exercício pleno da cidadania.

O Olodum ponderou que o ecletismo e as adaptações rítmicas são viáveis e legítimos, desde que executados com respeito e qualidade técnica.

Protesto

O cerne do protesto, contudo, reside na asfixia económica que essa substituição impõe aos artistas e trabalhadores locais.

De acordo com o grupo, há uma cadeia produtiva regional que depende exclusivamente do período junino para subsistir, e que hoje se encontra severamente desamparada pelas programações.

“Pessoas que lutam o ano inteiro ficam sem comer, a família fica sem dar comida aos filhos, roupa e moradia”, enfatizou a liderança, chamando a atenção para o drama social de sanfoneiros, quadrilheiros e músicos que perdem espaço para grandes produções de outros géneros musicais, disse um dos membros.

O grupo apontou ainda uma disparidade na proteção de mercados no cenário musical contemporâneo. De acordo com a avaliação do Olodum, “existem ritmos que ninguém invade”, referindo-se a gêneros comerciais consolidados que não abrem mão de suas hegemonias, enquanto o património popular do Nordeste permanece vulnerável.

Invasão de ritmos

A crítica estendeu-se para além dos limites do São João. O grupo traçou um paralelo alarmante com o Carnaval da Bahia, afirmando que o processo de descaracterização já se encontra em estágio avançado na folia momesca.

“A invasão acontece atualmente com o Carnaval. Nós estamos perdendo o Carnaval e podemos perder o São João”, advertiram.

Como caminho para assegurar a sobrevivência destas manifestações históricas, o Olodum defendeu critérios mais rigorosos de curadoria, resumindo a posição em tom categórico: “Queremos cada um na sua casa”.



Fonte: A Tarde

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