Danos da frustração

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A frustração de perder uma partida de futebol guarda em si um movimento emocional muito forte e grande. A psicologia do esporte e a social têm trabalhado com a neurociência nesses processos reativos das perdas, em geral, principalmente do próprio time, no caso, a seleção brasileira. Quando o seu time perde, o impacto emocional não é apenas um “capricho”, mas um fenômeno real ligado à identidade e à biologia. Na Teoria da identidade social o futebol, como a política, operam o conceito de identidade social. O torcedor, o seguidor, o defensor político não apenas assiste ao time, por exemplo, ele é parte deste time, ele fala “nós ganhamos”, “nós perdemos”.

Assim, quando seu time, sua seleção, seu candidato perdem, ocorre uma ameaça direta à autoestima coletiva do indivíduo. Os estudos demonstram que nessa situação surge a tentativa psicológica de se distanciar da derrota para proteger o ego, tipo: “eles jogaram mal”, “se não fosse aquele pênalti perdido”, vê-se a mudança do “nós” por “eles”. Houve uma fratura.

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Assim, a frustração toma corpo, ergue-se forte, quando um comportamento direcionado a uma meta (a vitória, o título) é interrompido por um obstáculo (o gol do adversário, o apito final). A perda. O cérebro, dizem os estudiosos, interpreta esse bloqueio como uma injustiça ou falha pessoal, ativando a amígdala (região ligada ao estresse e à autodefesa), o que eleva os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e reduz drasticamente a dopamina. E aí que pode surgir o problema de cada um: o saber lidar com a derrota frequentemente gera irritação ou comportamento hostil, em alguns casos a própria depressão ou mesmo a morte.

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Um torcedor de 60 anos morreu após passar mal durante o jogo entre Brasil e Japão, nesta Copa. Segundo sites de notícias, o homem estava em uma padaria, em Goiânia, quando teve um mal-estar e caiu da cadeira, batendo a cabeça no chão. O torcedor investe rios de energia, tempo e paixão em um evento sobre o qual possui zero capacidade de interferência. O resultado desse desamparo é o que a literatura científica aponta como um efeito ressaca que transborda os limites do estádio, por exemplo, impactando a produtividade, o humor coletivo e as relações familiares nas 24 horas seguintes – afirmam estudos – se evidencia que o futebol opera como um poderoso amplificador das nossas necessidades humanas de pertencimento, controle e validação social.

Para lidar com essa frustração, especialistas recomendam a estratégia da reavaliação cognitiva, que consiste em treinar o cérebro para restabelecer os limites entre a identidade pessoal e o desempenho dos atletas, lembrando-se de que o resultado em campo não define o valor do indivíduo, nem de um coletivo.

José Medrado é Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz*



Fonte: A Tarde

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