Apresentação utiliza a dança afrodiaspórica e a simbologia dos orixás
Um corpo que carrega memórias, saberes e resistência. A partir desse ideal, a performance Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral traz para Salvador uma narrativa sobre legado e valorização da ancestralidade. A exibição gratuita acontece nesta quarta-feira (8), às 19h, no Espaço Xisto Bahia, no bairro dos Barris, em Salvador. A apresentação utiliza a dança afrodiaspórica e a simbologia dos orixás para despertar reflexões acerca do racismo, da religião e outros temas.
Idealizado pelo coreógrafo e historiador Toni Silva, o espetáculo surgiu como uma forma de ressignificar a maneira como os corpos negros são enxergados em uma sociedade ainda carregada de racismo. A palavra ibanujé é de origem iorubá e significa tristeza, mas o trabalho de Toni vem para mostrar justamente o oposto disso.
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“Ibanujé surge a partir do momento que eu começo a entender o quanto os corpos negros são malvistos dentro de uma sociedade racista, misógina e homofóbica. A partir desse lugar, eu começo a entender que meu corpo, além de trazer essa tristeza, também traz alegria, arte, saberes”, explicou Toni Silva em entrevista ao MASSA!.
Espetáculo Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral
A dança afrodiaspórica é um caminho que já foi trilhado por várias pessoas e hoje é passado adiante pelo dançarino. “Eu gosto muito de seguir o legado. A dança afrodiaspórica exige um legado e esse legado é para ser guardado, resguardado, passado e repassado de forma séria, criteriosa e respeitosa”, afirmou.
Um dos pilares da apresentação é o conceito do corpo enquanto um retentor de memórias. Essa ideia está diretamente conectada com a ancestralidade. “O corpo é memória desde o momento em que a gente escreve com ele as poesias e narrativas deixadas por nossos mais velhos. Eu não tenho como não trazer na memória as referências dos nossos mestres e mestras”.
Um dos pilares da apresentação é o conceito do corpo enquanto um retentor de memórias
Acessibilidade e religião
Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral é um espetáculo recheado de simbologia religiosa. “A simbologia, códigos e semiótica de Ibanujé estão totalmente ligados às religiões de matriz africana, totalmente ligados às matriarcas das religiões de matriz africana, aos babalorixás”, detalhou Toni.
Uma performance que se propõe a combater o preconceito não poderia deixar de pensar na acessibilidade. A roda de conversa realizada após o espetáculo, no Xisto Bahia, contará com um intérprete de Libras e, para pessoas cegas ou com baixa visão, será disponibilizada uma visita sensorial ao espaço cênico, antes da apresentação. “Eu não posso falar de violência racial, racismo, corpos negros marginalizados e esquecer que pessoas que precisam desse lugar não tem acesso ao meu trabalho”, pontuou o dançarino.