entenda os efeitos emocionais da exposição infantil

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Entre curtidas, comentários e compartilhamentos, uma imagem publicada por Virgínia Fonseca ao lado de Vini Jr. acabou levando a discussão para além do entretenimento. O registro feito durante um passeio de iate no domingo, 12, em comemoração aos 26 anos do atleta, gerou forte repercussão nas redes sociais.

A imagem foi compartilhada no status do WhatsApp da famosa e divulgada em diversas páginas de fofocas. Internautas lembraram que os três filhos de Virgínia estavam presentes no passeio e questionaram o impacto da cena para crianças pequenas.

A situação levantou um debate importante cada vez mais presente: quais são os limites da
exposição de crianças em conteúdos compartilhados na internet?

Para a psicóloga infanto-juvenil e educadora parental, Bárbara Improta, entrevistada pelo
portal A TARDE, o foco do debate não deve ser a criança, mas a forma como os adultos constroem e divulgam determinados conteúdos.

“Isso está no olhar e na forma como os adultos constroem e vão divulgar esses conteúdos. Então isso é do adulto e não da criança. No dia a dia, isso pode aparecer quando as crianças são incentivadas a reproduzir comportamentos adultos, quando recebem elogios excessivamente voltados à aparência física ou quando são expostas a situações que vão favorecer as interpretações inadequadas por parte do público”, explica.

Engajamento não pode orientar decisões

Segundo a especialista, o principal risco surge quando a audiência passa a influenciar as escolhas relacionadas à vida da criança. A necessidade de gerar conteúdo e engajamento pode ultrapassar limites de privacidade e proteção.

“Tem o risco também da criança sentir que ela precisa corresponder às expectativas do público e ao risco alto. A partir daí desenvolve dificuldades em estabelecer limites entre a vida dela privada e essa exposição pública que vai se tornando cada vez maior e futuramente vivenciar conflitos relacionados à própria imagem”, pontua a psicóloga.

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Bárbara destaca ainda que crianças pequenas não têm maturidade cognitiva e emocional para compreender o alcance de uma publicação. Por isso, a responsabilidade pela proteção da imagem é integralmente dos adultos.

Impactos na autoestima e na identidade

A psicóloga lembra que a infância é um período de construção da identidade. Quando a imagem física da criança é constantemente exposta e validada pelo público, ela pode aprender, ainda que de forma inconsciente, a associar seu valor à aprovação externa.

“Isso pode dificultar a construção de uma autoestima baseada em outros aspectos, em competências, vínculos e características internas. Ao invés de desenvolver um senso de quem ela é, a criança pode começar a desenvolver e se preocupar com como ela é percebida pelos outros e não de fato como ela é”, ressalta a profissional.

Ela também diferencia o compartilhamento ocasional de momentos familiares da utilização frequente da imagem da criança como parte de uma estratégia de conteúdo.

“Quanto maior a frequência e a intencionalidade daquela exposição, maior deve ser as reflexões sobre os impactos para o desenvolvimento e para o direito à privacidade dessa criança”, completa.

Consequências podem aparecer anos depois

De acordo com a especialista, os efeitos variam de criança para criança, mas estudos apontam dificuldades na construção da identidade, maior dependência de validação externa, sensação de perda de privacidade e constrangimentos na adolescência relacionados a conteúdos publicados na infância.

“Existe um aspecto que é pouco discutido, que na verdade o que é publicado hoje, ele pode acompanhar essa criança até a vida adulta, mesmo que ela não desejasse essa exposição. Às vezes adultos que foram muito expostos quando crianças ainda sofrem esses impactos de ter ali a sua vida a sua infância tão exposta e sofrem os impactos anos depois”, diz.

Perguntas antes de publicar

Como orientação prática, a psicóloga sugere que os pais reflitam se a criança concordaria com aquela publicação daqui a 10 ou 15 anos, se o conteúdo preserva sua privacidade e se seria compartilhado mesmo sem curtidas ou comentários.

“Essas perguntas ajudam a deslocar o foco da audiência para a proteção da infância”, afirma.

Infância vivida antes de ser publicada

Para a especialista, é possível compartilhar momentos afetivos sem expor vulnerabilidades ou situações que possam ser mal interpretadas. Ela recomenda reduzir a frequência de postagens e, conforme a criança cresce, incluí-la nas decisões sobre o que será divulgado.

“Mais importante do que perguntar ‘eu posso postar?’ é perguntar se a publicação protege os direitos, a dignidade e o desenvolvimento do meu filho”, conclui.



Fonte: A Tarde

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